domingo, 27 de março de 2011

LA PASIONARIA




O mês de março vai chegando ao fim e com ele termina também o "Mês das Mulheres" no blog da Lú, o "Eu sou a Graúna". Por lá, desfilaram durante todo esse mês, histórias de mulheres fortes, determinadas, que não aceitaram ser nem um centímetro a menos daquilo que se propuseram a ser. E eu, fiquei muito feliz porque tive o privilégio e o prazer de fazer parte dessa homenagem às mulheres, escrevendo sobre Hilda Hilst .



Embora alguns duvidem, o universo de mulheres maravilhosas extrapola, e muito, o número de dias do mês de março e, portanto, muitas outras histórias de mulheres interessantes acabaram por infelizmente ficar de fora desse projeto. Mulheres como, por exemplo, "La Pasionaria", de quem me lembrei hoje pela manhã. Por uma dessas coincidências do destino, estava na Espanha quando ela faleceu e pude ser testemunha ocular de um dos grandes momentos da vida política daquele país.


Estávamos eu e meu pai passeando pelo centro de Madrid. Acabávamos de sair do Museo do Prado já a tardinha e, de repente um alvoroço tomou conta das ruas. As pessoas começaram a correr, buzinas...não entendíamos o que estava acontecendo, até que paramos numa cafeteria e vimos pela tv a reportagem sobre o enterro de "La Pasionária", que acontecia ali e agora. Nos dirigimos então para a praça, perto de onde estávamos, onde passaria o seu cortejo fúnebre.


Nessa época, eu ainda era "bem jovenzinha" e mal tinha ouvido falar dessa mulher tão importante. Talvez alguma coisa no colégio e só. Graças ao meu pai, que viveu a Guerra Civil Espanhola de perto, tive ali uma verdadeira aula sobre a ditadura de Franco "El Generalíssimo", e a resistência de uma revolucionária chamada Dolores Ibarruri, "La Pasionária".


"É melhor morrer de pé do que viver de joelhos!" disse ela, frente ao exército do General Franco em 1936, no começo da Guerra Civil Espanhola. "No pasarán!" conclamou aos madrilenhos. E assim o povo madrilenho atendeu ao seu chamamento e lutou até quando puderam e, até quando ela seguiu para o exílio na Rússia, da onde só voltaria muitos anos depois.


Quando chegamos a praça, podemos ter uma dimensão exata do que aquela mulher tinha significado para a Espanha, sobretudo para Madrid. Um mar de gente cada vez mais denso se formava, num silêncio surpreendente e comovente. Todos queriam prestar uma última homenagem à quem  tinha dedicado toda a sua vida a lutar pela liberdade e democracia daquele país. Nem que eu viva cem anos, jamais me esquecerei dessa cena.


Com esse pequeno "adendo" que fiz aqui nesse post, fica o convite para a leitura das histórias sobre outras mulheres interessantes  lá no "Eu sou a Graúna" . Leiam e apaixonem-se!!


 Um pouco mais sobre a história de La Pasionária:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2010/11/jbhoje-na-historia-la-pasionaria-morre.html

7 comentários:

  1. Um símbolo dos que acreditam em um mundo mais justo e fraterno. Beijo!

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  2. Querida, que maravilha de post! Como amei saber tudo pelos seus olhos. E que gentil divulgar o nosso projeto. Você é uma fofa.

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  3. "É melhor morrer de pé do que viver de joelhos!"

    Caramba! Forte, muito forte isso, viu Clarinha?!
    E faço minhas as palavras da Borboleta, que maravilha de poste!

    Vou ler suas indicações! Amei a história de La Pasionaria.

    beijo

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  4. Vc sabe que La Pasionária esteve muito ligada à direita?
    Sou mais a Rosa Luxemburgo!
    Grande abraço.

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  5. Zé Carlos, será que daqui a uns oitenta,cem anos,(já acho hoje)também não irão achar estapafúrdias as coligações que o Lula e o PT precisaram fazer "em nome da governabilidade",da continuidade de um projeto de governo,enfim...ou não tem nada a ver? Por favor, me dê uma luz porque essa parte "papai não me contou". rsrsr Abs!

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  6. Clara, diga ao meu amigo Zé, que errar é humano, permanecer no erro, bem...aí...é desumano. Ah, o Lula, no dia que deixou à Presidência seguiu para São Bernardo na companhia do Zé Sarney.

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  7. Pois é, Zatônio...situação complicada! Não quero a volta do PSDB ao governo de jeito nenhum, mas...essas coligações que o PT faz, são muito difíceis de engolir...

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