sexta-feira, 6 de julho de 2012

"Cores de Frida Kahlo, Cores..."

   Hoje, se a pintora mexicana Frida Kahlo estivesse viva completaria 107 anos. Mulher intensa, passional, muito a frente do seu tempo. Apesar de ter morrido aos 47 anos e a dor e o sofrimento terem pontuado a sua vida, Frida magistralmente conseguia transformar toda a sua angústia em arte. Levava às telas, todas as cores que porventura não encontrava em sua realidade. Numa certa ocasião, Kahlo recebeu a incumbência do governo mexicano de retratar cinco mulheres mexicanas importantes na história e disse: ''Querem que eu retrate cinco mulheres mexicanas importantes em nossa história; faço pesquisas para saber que tipo de baratas foram essas heroínas, que tipo de psicologia era o seu fardo, a fim de, ao pintá-las, as pessoas possam diferenciá-las das mulheres comuns e vulgares do México, as quais, para mim, são mais interessantes e poderosas do que as damas mencionadas.'' 
    Assim era Frida, sabia que poderia alçar voo e não aceitava nada menos como limite. A mulher se foi mas o mito e sua grandiosa obra ficaram. Cores de Frida Kahlo, cores...  (Clara Gurgel)

"Pintar completou a minha vida. Perdi três filhos e uma série de outras coisas, que teriam preenchido minha vida pavorosa. Minha pintura tomou o lugar de tudo isso. Creio que trabalhar é o melhor"  


Post publicado no Interrogações

terça-feira, 3 de julho de 2012

"Cidadezinha"

    Moça donzela debruçada na janela,
    se arruma, se apruma, pois lá no morro, na capela,
    bate seis horas da Ave Maria.
    Moço bonito e  faceiro a quem ela dedica
    noites de lua cheia, apertando contra o peito o travesseiro,
    já lá vem pelo passeio, cantarolando velha melodia.

   Como sempre pára debaixo da janela,
   sorri e lhe faz um gracejo.
   Ela, como rubra rosa se recolhe um pouco, pudica encolhe o corpo,
   para em seguida, de soslaio, exibir ofuscante feito raio, um tom de
   abuso no pouco de um colo farto.
 
   Tinha certeza de que um dia ele a levaria,
   simbora rumo a cidade grande, 
   homem interessante, inteligente, viril,
   cavalo branco pela pradaria.
   Outro igual nunca se vira, nem o filho de Seu Nestor, 
   que pra casar prestava não, ficou velho sem namorar,
   ninguém entendia, até que um dia, sumiu, foi-se embora com um primo, feliz,      pro exterior. 
   Ôh cidadezinha essa de meu Deus!! 
   
   Lá vem moço bonito e faceiro mais uma vez...





domingo, 1 de julho de 2012

"Amor em Budapeste..."

"Nenhuma nesga de luz,
 Nenhum rabicho de sol,
 Só insiste em brilho fosco,
 Tosco agora,
 O arco íris que comprei em 
 Budapeste há dois anos,
 Quando não éramos sós,
 Quando éramos sóis,
 Quando éramos nós.


Arranco a casca da ferida. 
Reparto em dois, em três, em mil 
aquilo que queria engolir sozinha.
Agora tanto faz. Não machuca mais.
Não há sangue correndo pro teu mar
Porque não era eu
Porque não era você
Porque não era amor..."