domingo, 26 de setembro de 2010

"SOU MULHER E SEI DAR TRANCO!"

     Sexta-feira quando fui pegar o meu marido na volta do trabalho, tivemos a original idéia de comermos uma pizza. Os hábitos, né?! Ahhh, os hábitos...o que seria a vida sem eles!!
Como as crianças estavam em casa, achamos melhor pararmos na pizzaria e fazermos o pedido "para viagem". Assim, enquanto a pizza ia ficando pronta, teríamos a oportunidade de fazermos um "mini happy hour".
      Dando sequência ao nosso cronograma, pegamos a pizza, entramos no carro e para nossa surpresa, sabe o que aconteceu quando girei a chave? Nada! Isso mesmo. Absolutamente nada!
     Tento mais uma vez, mais duas, mais três..."mas como assim? Isso nunca aconteceu antes?"(com esse carro,né!)
     Meu marido, que consegue entender de carro menos do que eu, deu a "prática" idéia de deixarmos o carro lá e depois veríamos o que faríamos. Como a noite estava nublada, não entendi essa rápida decisão como um lampejo de romantismo, onde poderíamos ir a pé para casa admirando a Lua.
     Olhei para o painel do carro e conclui "brilhantemente" que era a bateria.
     " Ãh...e aí?"  disse o Daniel  
      "E aí, vamos empurrar que pega!" respondi.
     Chamamos dois rapazes da pizzaria para nos ajudar. Quando um deles viu  que era eu quem estava no volante, perguntou para o Daniel se eu "sabia dar tranco". Além dele achar que eu não sabia, também deve ter pensado que eu era "surda e muda". Não vejo outra razão para que não tenha perguntado PARA MIM.
     Quando eles começaram a empurrar, entrou um motoqueiro na minha frente. Fiquei com medo de atropelá-lo e acabei não soltando a embreagem do modo que deveria. Para minha surpresa, esse motoqueiro era um senhor que também trabalhava na pizzaria e, contornando o carro, abaixou-se em direção a mim e disse para os outros rapazes: "AHHH, ASSIM NÃO VAI PEGAR, NÃO!!"
     Quando vi aquilo pensei: "Agora é questão de honra!" e falei para o Daniel: "Vamos de novo! Para trás! Para trás!"
     Nossa! Era visível a descrença daquela homarada. Senti o peso da responsabilidade nas minhas costas. Muita coisa ali estava em jogo e eu não podia falhar. Me concentrei e lá fui eu mais uma vez tentar fazer com que eles enxergassem além do fato de eu ser uma mulher. Queria mostrar que o "livro" onde eles leram que, "fazer um carro pegar no tranco" é coisa de homem,era desconhecido para mim.
      De novo eles empurraram e, sem ninguém entrando na frente, ou melhor, atrás, o carro pegou rapidinho.Um dos rapazes que empurrava o carro, ficou em êxtase e começou a zoar o outro senhor que tinha entrado na minha frente com a moto: "Aí, quem disse que não pegava? Há,há,há" (Tadinho! Senti que ele estava mesmo torcendo por mim desde o começo).
      Fiz o contorno e parei em frente da pizzaria. Agradeci aos rapazes e disse para o "tiozinho": "Só podia ser mulher,né tio?! Só podia ser mulher..." Todos os outros rapazes riram e eu, dei uma buzinadinha e acelerei feliz de alma lavada!
      O quê que há? "Sou mulher e sei dar tranco! Ôh, se sei..."