sábado, 31 de dezembro de 2011

Desconstruindo "Verdades Absolutas" em 2012!"

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.
John Lennon



Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será 

domingo, 25 de dezembro de 2011

"É NATAL, MAS NÃO PRECISA SER ÓBVIO!" Tirinhas/ Peanuts- O Verdadeiro Sentido do Natal

Apesar das tirinhas do Sr Schulz terem completado recentemente sessenta anos, ainda trazem o frescor e a originalidade do humor refinado. E, se é para tentar fugir da obviedade, ele, "Charlie Brown", não poderia faltar aqui nesse Natal. Vale a pena registrar que, em 1969, ia ao ar o primeiro especial  para TV da série Peanuts: "O Natal de Charlie Brown", assistido por 55 milhões de pessoas.


(Clique na imagem para ampliar)


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

É NATAL, MAS NÃO PRECISA SER ÓBVIO! Receita/ Prato Principal (por Luciana Nepomuceno)


Apesar de ter tido alguns probleminhas técnicos e estar atrasada com as publicações da série: "É Natal, mas não precisa ser óbvio", não poderia, de maneira alguma, esquecer de postar um dos primeiros textos que me veio à mente, assim que pensei em fazer um "Natal original". É uma receita que, independente do prato, deve ser usada sem parcimônia. Receita que só ela, Luciana, escreveria com tanta propriedade... 


Prato Principal
Em maio deste ano escrevi um texto para o Feministas na Cozinha chamado Ora, direis, comer estrelas... escrevi, curti, esqueci. Até que. Dessas coisas boas que me acontecem, tem a Clara. E ela postou este texto lá no Fb e eu fui reler. E fiquei pensando, sim, sim e, um tantinho não, não. Quem quiser saber como ele era, vai lá e espia, aliás, tem muita coisa boa escrita pelas outras blogueiras, dicas e receitas. Dei uma garibada nele, virou resto d’ontê. Porque o pensar, como o amar, muda. 

Amar é um tantinho como cozinhar. Muitas vezes parece difícil, complicado, demorado e é tão fácil. Pratos com aparência sofisticada que nos custaram um forno amigo, uma taça de vinho pra acompanhar a espera e uma mesa bem arrumada. Às vezes amar é só um cafuné, um telefonema inesperado, um gesto cuidadoso. Peixe? Sal, azeite e fogo. Não tem erro. Massa? Manjericão e tomate. Mas daí a gente pensa: manjo! E, claro, é um erro enorme. Fica até mais bonito em  inglês, como aqueles filmes de final infeliz: terrible mistake, até parece uma sobremesa, né? É que amar também sabe ser difícil. Amar e ser amado são da ordem de uma pergunta e de uma falta e o que temos a oferecer é justamente o que não possuímos. Mas insistimos. Difícil como fazer pão. Tem que ter paciência e saber que tem uma hora, um processo, que não depende de nós, que é lá com ele e sua vida íntima. E que não é garantido. Mais ainda, é preciso saber que, ainda que tudo dê certo, pão pronto e saboroso, nossa fome não finda nele. A de momento, talvez, mas ela se renova.

 Amar é como cozinhar, ainda, porque se precisa dos ingredientes certos. Mas o certo não é, necessariamente, o óbvio. Alguém diz: ingredientes frescos! e logo penso em juventude e a pergunta: só os jovens amam? Porque é o que parece em tantas revistas e filmes mainstream, todos com a viçosa pele esticada e nenhuma bagagem. Mas aí eu lembro do queijo, do vinho, da carne de sol, tantos que são mais saborosos e intensos depois que o tempo faz sua parte. Amar é também para os que já tiveram seu sabor modificado pelos anos, pelas perdas, pelos sustos, pelos anseios, pelos medos, sim e pelas alegrias, pelas conquistas, pelo gozo, pelo suave apreciar do tempo passando ou pela ansiosa pressa de chegar antes dele. Bom, os ingredientes têm que combinar, outro insiste e eu concordo. Mas combinar é o quê? Sal com sal? Mas e o porco com abacaxi? O salmão com maracujá? O mais gostoso não é justamente quando a boca se surpreende num sem saber de gostos? Eu acho. Por isso gosto tanto de beijar. E comer. Por causa do inesperado.

E, tem, claro, a constatação que, nos dois casos, cozinhar e amar, insistimos nas receitas, mas suspeitamos, bem  lá no fundo, que isso é mesmo: mão. E seguimos na peleja: atenção, cuidado, autonomia, desejo, momentos a dois, momentos cada qual no seu cada qual e uma lista interminável de duas xícaras disso e três colheres daquilo. E, às vezes, a comida está feita, receita seguida, tudo no lugar…e tão sem gosto! Outra hora é o excesso que faz o particular: pimenta demais, sal de menos, cozido demais, ficou pouco tempo no forno e tá duro e, ainda assim, com todos os poréns, dá água na boca e sacia.

Isso de se cozinhar é preciso ter vontade, como amar. E aceitar as limitações. E improvisar o omelete quando não há nada em casa a não ser temperos, ovo e um restinho de queijo. No amor, como na cozinha, os sentidos fazem a festa e é isso de ver-se e cheirar-se e lamber-se e saber a textura. Na cozinha, como no amor, o feito na hora tem vantagens, mas descobrir aquele bilhete, opa, aquele pedaço de torta na geladeira, meio esquecido atrás da garrafa d’água quando se está com desejo de doce, ai ai, é de deixar a perna meio bamba e acelerar o coração.

Resumindo, o resultado do amar é um monte de alteração no metabolismo, tal qual o resultado de cozinhar. E nisso de estrela, cerveja, suspiros e perguntas – em forma delirante como “ai, quando, quando e quando” daí a um o apressado come cru, (como minha avó alertava), mas eu gosto de sushi, retruco eu mesma – nisso de estrelas e fome e lembranças do que ainda nem sei se será, veio-me Adélia e é a receita que tenho a partilhar hoje:

"Alimento da fome que desejo perpétua
Jonathan é minha comida"

"É NATAL, MAS NÃO PRECISA SER ÓBVIO!" Literatura de Cordel/ Feliz Natal

Nesse post, a força da tradição, a literatura de Cordel, aliada a "ferramenta dos tempos modernos", a internet. O resultado não poderia ter sido melhor.
















terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"É NATAL, MAS NÃO PRECISA SER ÓBVIO!" Cartões/ Por Raquel Stanick

Quando penso em originalidade, é difícil não pensar em Raquel Stanick. São quase sinônimos. Raquel é artista plástica, blogueira e, acima de tudo, mulher. Intensa, autêntica, visceral. Fico admirando, através dos seus escritos, a sua coragem diante da vida. Parece que seu único medo é "não viver". O resto, acertando ou errando, sorrindo ou chorando, ela enfrenta. Chama o mundo para cima do ringue e dá mesmo a "cara prá bater." Por isso, aprendi a admirá-la tanto. Por isso, a minha grande comoção (e não estou exagerando) quando sábado, ao "abrir meu computador", me deparei com esses dois lindos cartões,  que ela fez para mim. Talvez ela não saiba, mas sempre gostei de receber cartões. Desde a época em que eles eram escritos manualmente e enviados pelo Correio. Esperava ansiosa e sempre me emocionava com o carinho de quem os mandava. Hoje, os tempos mudaram. A amiga é virtual , os cartões são virtuais, mas a felicidade de recebê-los foi a mesma de sempre e bem real. Obrigada Raquel!  "Espero um dia, quem sabe, tê-la em abraços e sorrisos!" (como diz a sábia !)


"Que  2012 seja um ano em que todos nós encontremos mais da poesia que se esconde no cotidiano"


"Que 2012 seja um ano de deixar os medos para trás...e encarar a vida como a aventura que ela é!" (ou vice versa)

domingo, 18 de dezembro de 2011

É NATAL, MAS NÃO PRECISA SER ÓBVIO!" Como seria o nascimento de Jesus na era digital?


 O post de hoje é um vídeo, que mostra como seria o nascimento de Jesus em "tempos virtuais". Não é inédito mas é muito original. Passeou com generosidade pela internet no final do ano passado, se tornando um "viral"(  vídeo repetido à exaustão). Mesmo assim, vale a pena assistir de novo pela criatividade. 

sábado, 17 de dezembro de 2011

"É NATAL, MAS NÃO PRECISA SER ÓBVIO!"

Depois de tantos séculos comemorando a data, fico me perguntando o que ainda falta falar sobre o Natal. Acho que nada mesmo. O tema é "batido", desgastado e, até piegas como disse um amigo. Mas, justamente por isso, me propus um desafio: fazer dez postagens sobre o Natal, que tenham um enfoque original, que fujam do lugar-comum. Procurei por textos, fotos, charges, vídeos, enfim, tudo que possa ajudar a "oxigenar" a data. O mais curioso é que, na minha primeira busca, (comecei pelas crônicas) encontrei esse texto do Veríssimo que expõe exatamente essa dificuldade em buscar originalidade num tema tantas vezes antes visitado.    
Não sei se conseguirei cumprir o meu desafio de forma satisfatória, mas que Luis Fernando Veríssimo, com maestria, deu um drible na mesmice quando escreveu essa crônica, não há dúvidas. 


NATAL (Por Luis Fernando Veríssimo)

Natal é uma época difícil para cronistas. Eles não podem ignorar a data e 
ao mesmo tempo não há mais maneiras originais de tratar do assunto. 
Os cronistas, principalmente os que estão no métier há tanto tempo, que 
ainda usam a palavra métier – já fizeram tudo que havia para fazer com o 
Natal. Já recontaram a história do nascimento de Jesus de todas as formas: 
versão moderna (Maria tem o bebê numa fila do SUS), versão coloquial ("Pô, 
cara, aí Herodes radicalizou e mandou apagá as pinta recém-nascida, baita 
mauca"), versão socialmente relevante (os três reis magos são detidos pela 
polícia a caminho da manjedoura, mas só o negro precisa explicar o que tem 
no saco) versão on-line (jotace@salvad.com.bel conta sua vida num chat sitc), 
etc. 


Papai Noel, então, nem se fala. Eu mesmo já escrevi a história do casal 
moderno que flagra o Papai Noel deixando presentes sob a árvore de Natal, 
corre com o Papai Noel e não conta nada da sua visita para o filho porque 
querem criá-lo sem qualquer tipo de superstição várias vezes. 
Poucos cronistas estão inocentes de inventar cartas fictícias com pedidos 
para o Papai Noel: patéticas (paz para o mundo, bom senso para os 
governantes), políticas ("Só mais um mandato e eu juro que acerto, ass. 
Fernando") ou práticas ("Algo novo para escrever sobre o Natal, por amor de 
Deus!"). 


Já fomos sentimentais, já fomos amargos, já fomos sarcásticos e 
blasfemos, já fomos simples, já fomos pretensiosos – não há mais nada a 
escrever sobre o Natal! Espera um pouquinho. Tive uma idéia. Uma reunião de 
noéis! Noel Rosa, Noel Coward e Papai Noel. Acho que sai alguma coisa. 
Noel Rosa, Noel Coward e Papai Noel estão reunidos... onde? Na mesa 
de um bar? Papai Noel não freqüenta bares para não dar mau exemplo. Pelo 
menos não com a roupa de trabalho. No Pólo Norte? Noel Coward, 
acostumado com o inverno de Londres, talvez agüentasse, mas Noel Rosa 
congelaria. Não interessa onde é o encontro. Uma das primeiras lições da 
crônica é: não especifica. Noel Rosa, Noel Coward e Papai Noel estão reunidos 
em algum lugar. Os três conversam. 


Noel Rosa – Ahm... Sim... Hmm... 
Noel Rosa diz o quê? 
Noel Rosa – E então? 
Noel Coward e Papai Noel se entreolham. Papai Noel cofia a barba. 
Ninguém sabe, exatamente, o que é "cofiar", mas é o que Papai Noel faz, 
enquanto Noel Coward olha em volta com evidente desgosto por estar em 
algum lugar. Preferia estar em outro. A todas essas eu penso em alguma coisa 
para eles dizerem. 
Noel Roas (tentando de novo) – E aí? 
Papai Noel – Aqui, na luta. 
Noel Coward – What? 
Esquece. Não há mais nada a escrever sobre o Natal. 
Salvo isto, se dão vênia: que seu Natal em nada lembre o da Chechênia. 



Que suas meias se encham de metais vis desde que não sejam guaranis. 
Que sob a árvore enfeitada o grande embrulho com seu nome seja... 
Meu Deus, a Paola pelada! 
Que em nenhum momento do rebu alguém faça piada com o tamanho do 
peru. 
Que em alegre bimbalhada os sinos anunciem ao mundo que está saindo 
a rabanada. 
E cantem os anjos, a capela que o Cristo vai nascer assim que acabar a 
novela.