terça-feira, 27 de setembro de 2011

"RAPIDINHAS DO PEDRINHO"

"República da BANANA"

(1 ATO)

Eu, "mãe modernosa", estudando história com o Pedro:
-Então Pedro, foi assim, Dom Pedro I "deu uma banana" para Portugal e resolveu ficar no Brasil. Entendeu, filho?
-Ah, mãe! Entendi...


"República da BANANA"

(2 ATO)

Dia da prova, pergunto para o Pedro: 
-Qual foi o grito de Independência? Sabe responder, Pedro?
-Ah, mãe, claro que sei: "BANANA"!!
-Como assim, Pedro? "Banana"?
Morri...



( E NO RODAPÉ...)

RAPIDINHAS DO DAVI
"Mãe não sabe de nada mesmo!!"

Estávamos dentro do carro e passa a Sara, amiguinha de classe do Davi (irmão do Pedro, três anos):
-Mãe, olha lá a Sara! A Sara! Saaara!! Saaara!!
-É a namorada dele, mãe! Diz o Pedro.
-Ah,é?! Ela é sua "namorada" Davi?
-Nãaao, mãe! Ela é só minha amiguinha!
-Ah sim, só amiguinha,né Davi?! Digo eu, meio desconcertada...
E é aí então, que o Davi completa:
-É, ELA, é só minha amiguinha, eu vou CASAR é com a Lívia!!    

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

"TRATO"

                                  
      Então, tá combinado:


      Se "tudo já foi dito",

  
     Fica "o dito pelo não dito",


    Fico eu CHEIA das tuas palavras,


    Fica você VAZIO de mim...







terça-feira, 6 de setembro de 2011

"DESCONEXA"

 Era a terceira vez essa semana que se atrasava. Mas a culpa não era dela. Aliás, era ali naquele momento que aproveitava para expiar suas culpas, seus medos, se despir de tudo aquilo que a incomodava. Tirava a roupa e ficava com a alma nua. Não tinha o menor problema em ficar sozinha com ela mesma. Se davam muito bem.

Ligou o chuveiro já quase em transe, preparada para viajar para um lugar distante tão próximo dali. A espuma farta escorria pelo seu corpo, como seus pensamentos escorriam do seu cérebro, senhor da razão, algoz da sua emoção.

Nas terças e quintas, usava seu shampo sem sal. Só terças e quintas. Tinha lido numa dessas revistas femininas em algum consultório médico, que shampo com sal todos os dias danificava os cabelos. " Sal é sempre o vilão!", pensou aborrecida. Logo ela que precisava tanto de sal para sobreviver.

 Quarta era dia do sabonete esfoliante. Adorava a sensação daqueles grãozinhos arranhando a sua pele, incomodando tanto que até agradava...sempre o paradoxo rondando seus dias.

Pegou a toalha e se secou com ligeiras batidinhas pelo corpo, com o cuidado de não secá-lo por completo. Só assim o hidratante que ela começava a passar, penetraria melhor na pele. Olhou para aquela pinta sexy no seio direito e achou que ela poderia ser mais sexy se não tivesse que vigiá-la. Não entendia porque as coisas que lhe davam um certo prazer, sempre vinham acompanhadas de alguma ressalva, como se fossem aquelas letrinhas miúdas que ninguém lê no rodapé dos contratos perfeitos.

Prá terminar, se olhou no espelho e sentiu saudade do tempo em que o único cosmético que usava no rosto era a urgência em "ser feliz para sempre". Agora, usava aquele hidratante que fazia questão de mostrar em letras enormes no rótulo, a  faixa etária a qual ela pertencia.

Alguém bateu na porta. Avisou que ela estava atrasada. Colocou de novo os pés no chão, penteou os cabelos, apagou a luz, abriu a porta e se conectou de novo com o mundo, de corpo e alma lavados...

"MÚLTIPLA ESCOLHA"

     "Na beira da floresta de tudo que não compreendemos, atraídos por tantas possibilidades e delírios, numa cultura contraditória e incerta, somos jogados, rolados, esfolados e burilados como pedras de fundo de rio. Precisamos nos libertar, cortando, ainda que com os dentes, os fios que nos aprisionam. Com menos temores, faxinando mentiras e reduzindo servidões, quem sabe deixamos de ser tão manipulados, e começamos a fazer algumas lúcidas escolhas, que vão nos indicar nosso lugar no mundo.
     E aí não importa se sou faxineira, gari, cozinheira, garçom, mãe de família, advogado, cientista, astronauta ou motorista de ônibus, se moro num palácio ou numa favela, se sou negro ou amarelo ou branco ou diferente em algum sentido: sou um parceiro e um cúmplice, não em crimes, mas em construção apesar das diferenças." (Lya Luft)