quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A felicidade é comezinha

Davi é meu filho caçula. Tem cinco anos, fala pelos cotovelos (ainda bem!) e tem aquela curiosidade voraz pelas coisas do mundo, que é inerente a idade. Hoje de manhã, enquanto eu fazia café, passou por mim na cozinha e disse:
-Mãe, é NOJENTO uma moça namorando um velho?
-Como assim, “nojento”, Davi? Qual o problema?
-Ah, mãe, é estranho.
-Estranho por quê? A moça não pode gostar do velho só porque ele é velho?
-Ah, mãe, pode sim. É igual no conto de fadas, ela gosta do velho e a fada toca a varinha mágica nele e ele vira moço.
-Não, Davi. Não é assim. Se a moça gostar mesmo dele, vai gostar dele de qualquer jeito, velho, novo, feio, bonito, não importa.  Pode ser nova gostando de velho, velha de velho, velha de novo, novo de nova, enfim, não tem problema nenhum. E se a mãe fosse casada com um homem mais velho, por exemplo?
 Davi responde aflito:
-Não, mãe. Você poderia pegar uma doença!
-Davi, velhice não se pega. Velhice não é doença contagiosa. Olha só, quando você for rapazinho e, por um acaso, gostar de uma moça mais velha, o que vai fazer? Vai deixar de gostar dela só porque ela é mais velha?
Davi fica absorto em seus pensamentos por minutos preciosos e responde convicto:
-Vou continuar gostando dela, mãe. E não vai ser estranho!
-Então! É isso que importa! Quando você gosta, é assim, você gosta e pronto.
- Ah, tá! Valeu, mãe, por me explicar!


Com um sorriso no canto da boca, fico olhando Davi saindo de banda. Valeu, filho, por mais uma oportunidade de entender que "se o amor é azulzinho", a felicidade é comezinha. 


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

"O Rei da Cocada Preta"

Nesse final de semana, a revista Veja São Paulo imortalizou, o até então pouco conhecido, Alexander de Almeida. Num vídeo de quase quatro minutos, Alexander dá dez dicas “valiosas” de como tornar-se o “Rei do Camarote”. Entre outras pérolas, é preciso ter carrão, bebida que pisca, mulheres (as bonitas, claro!) e celebridades que, finalizando, agregariam “valor ao camarote”. Sim, eu assisti ao vídeo e, num primeiro momento, confesso que ri do patético que estamos NOS transformando. SOMOS cada vez mais caricaturas de nós mesmos. Alexander tem um olhar inseguro, sua voz é infantil e, decerto, autoestima não é o seu ponto forte. A qualquer momento sairá correndo procurando algum colo que lhe dê abrigo. Sua instabilidade emocional é visível e agora, risível no país inteiro. Seu comportamento é tão grotesco que suspeitam até que ele seja um fake, um personagem.

Mas e quanto a nós? Quantas vezes somos ridículos, (nem tão endinheirados ou escrachados como Alexander, é bem verdade) tentando atender aos nossos caprichos?

Quantas vezes comprometemos grande parte do nosso orçamento, ou todo, ou até mais que o todo, comprando o perfume da moda (porque AGREGA VALOR), o celular do último tipo com inúmeras funções que provavelmente nunca usaremos, alisando o cabelo (sabe quanto custa uma progressiva a laser Photon Hair?), frequentando academias TOPS (porque, né?, a “academia da esquina” não dá STATUS), sempre numa busca frenética, numa devoradora expectativa de sermos aceitos, de estarmos inseridos, de “pertencermos a”, ou como diziam antigamente, sermos “O Rei da Cocada Preta”?

Na verdade, “rir desse idiota”, ainda que inconscientemente, é também um riso de expiação de culpa. Alexander talvez seja o bode expiatório perfeito para ilustrar aquilo que, guardada as devidas proporções, existe em cada um de nós. Afinal, sempre é mais fácil rir do escracho do outro do que a autocrítica. “Que prestem atenção nele e nos deixem aqui, quietos, com nosso ridículo devidamente controlado, porque ele é o idiota da vez a ser ridicularizado, não eu!” é o que nós achamos. É o que nos conforta.

Se você ainda não viu o vídeo e quer ver, veja, ria e depois faça uma autoanálise: onde mora a minha porção Alexander de Almeida? Vale a pena o exercício. O resultado pode ser surpreendente!

A propósito, Alexander, sendo fake ou não, já deu uma nova entrevista dizendo que se arrepende de ter feito a matéria para a Veja, mas não de seu reinado que, pelo visto, segue muito bem, obrigado!

Aguardemos, pois, o próximo capítulo dessa ópera bufa tupiniquim!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

NO OUTUBRO ROSA, A VIDA NO VERMELHO...

Com o  início da campanha internacional Outubro Rosa, que promove a importância da prevenção do câncer de mama, vários posts hoje sinalizavam o evento. Devidamente conscientizada, lá fui eu para uma Unidade Básica de Saúde, no Guarujá, atrás de um dos meus direitos mais primordiais: o direito à saúde.

Na primeira Unidade a reação das atendentes é de desconfiança: “Mamografia?” diz uma das moças depois que ela e a amiga se entreolham. “Sim, como eu faço, é aqui?” insisto e elas me indicam outro endereço, outra Unidade. Lá vou eu. Mais atendentes desconfiadas.  Afinal, o que há de errado com a minha pergunta? A moça do arquivo, apesar de ser a responsável pelo agendamento do retorno das consultas, “não sabe me dizer quanto tempo eu levaria até fazer o exame”. Limita-se a dizer que primeiro tenho que passar por um médico em qualquer Unidade Básica de Saúde. E é só.

Antes de ir embora, vou até uma sala mais a frente e, finalmente, encontro um funcionário atencioso, disposto a falar. Uma das primeiras perguntas é se tenho plano de saúde para que ele possa me indicar “um procedimento mais adequado” porque “você sabe, né?  ESSAS COISAS DO GOVERNO SÃO DEMORADAS E A QUALIDADE É PIOR!”. Digo que fui pelo Outubro Rosa, que achei que tivesse algum mutirão, ou coisa do tipo. Ele diz não saber nada nesse sentido e pede que eu volte no dia seguinte para maiores informações, mas já me adianta que o “processo é complicado”, que terei que passar por um clínico em uma Unidade qualquer, que me encaminhará para um ginecologista, que me fará o pedido do exame. Pergunto quanto tempo eu levaria até fazer o exame e ele, apesar da atenção dispensada, se mostra reticente e assim como os outros funcionários com quem falei anteriormente, não sabe precisar quanto tempo eu levaria.

Agradeço e vou embora pensando na diferença abissal que existe entre as campanhas de conscientização (necessárias, obviamente) e a qualidade do serviço público de saúde prestado, principalmente, às mulheres. De que adianta a conscientização se a mulher não é assistida devidamente quando procura atendimento médico, se tiver que esperar MESES pela MAMOGRAFIA, de acordo com o relato de várias mulheres conhecidas?

Por sua vez, a Secretária de Saúde de Guarujá informa que de janeiro a julho deste ano realizou 4.442 mamografias na cidade, onde foram identificadas 375 alterações, o que não caracteriza o câncer necessariamente. O mais SURPREENDENTE é que como as análises das amostras AINDA ESTÃO EM ESTUDO   (FAVOR NOTAR QUE JÁ ESTAMOS EM OUTUBRO), não há como precisar quais destes são casos confirmados de câncer de mama. Ou seja, muitas dessas mulheres que se CONSCIENTIZARAM E FIZERAM O EXAME, quase três meses depois, AINDA NÃO SABEM SE TÊM CÂNCER OU NÃO. Um absurdo para uma doença onde o tempo é fator fundamental para aumentar as chances de cura.

Depois dessa minha pequena “excursão” em busca de uma MAMOGRAFIA pública, gostaria que o Outubro Rosa pontuasse, para além da conscientização das mulheres em relação à prevenção da  doença, a conscientização de quem tem o DEVER DE CUIDAR DA SAÚDE DAS MULHERES, sobretudo com um atendimento humanizado, com diagnósticos precisos subsidiados por exames de boa qualidade, dentro da urgência que o combate à doença exige, principalmente àquelas que não podem pagar. Política pública só é efetiva quando atende, e bem, a demanda, no mais, é factoide acobertando uma prestação de serviço público medíocre. 

Mais importante do que o rosa nas roupas é a VIDA no vermelho pedindo cuidados e atitudes URGENTES em outubro, novembro, dezembro, durante o ano todo.    

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

"ESTRANGEIRA"

   Contra o tempo, corro tentando colocar o corpo, a cabeça e a casa em ordem. Há sempre o hiato na volta porque já não sei exatamente de onde volto. Não me reconheço mais em meus pares, agora tão díspares e igualmente queridos, para sempre amados. Estrangeira onde quer que eu vá, sempre é aqui, em mim, que me encontro, cavucando  meus desencontros, amores, dissabores, alegrias e afins.

O cotidiano bate à porta. Não abro, mas ele mete os dois pés na porta e entra. Por que uma empresa imagina aumentar a sua produtividade aumentando em uma hora diária a carga horária de trabalho? Por que a suspensão do carro está fazendo barulho? Por que o gato está tão magro? Por que essa planta murchou? Será que sentiu a minha falta? Bobagem! Nem pessoas estão murchando mais por saudade.

Entre meus emails, procuro por aquele que “vai mudar a minha vida”. Eu sei, ele não existe. Provavelmente nunca chegará, mas o gostoso é a espera no portão. Rodo pelas redes sociais e por alguns sites frequentemente visitados, cumprindo um rito quase sagrado (não ler é pecado), quando me vem à cabeça um post de um amigo  virtual, falando sobre a “possibilidade de querer ser um intelectual”:

Sim, possibilidade de querer ser porque ser é algo que não sei se alcançarei um dia. 
Poder abrir mão do conforto da ignorância e, ainda sim, desfrutar do prazer de "saborear" texturas e "observar" paladares diversos. Perder aos poucos o agradinho mais ou menos de enxergar as cores apenas em seus tons primários e experimentar a dor e o gozo dos múltiplos tons, entre opacos e desgastados, às vezes em cinzas variados ou brancos, de tanta luz. 
Em certos momentos, a mesma escolha que leva a quartos escuros de ausência de todas as cores, um breu e um medo - não, muitos medos-, incertezas e ansiedades. Há um quê de desilusão em experimentar os caminhos aos quais o trem da busca pelo conhecimento nos leva. Entretanto, é inegável que a excitação das descobertas, mesmo que nem sempre (ou quase nunca, em verdade) cromadas com o pincel da esperança, é elemento nobre desse (des)caminho.
Primeiro, a crise da grande mudança de patamar dos problemas a serem discutidos; depois, o aprofundamento da sensação de ser "bandido" no mundo. Logo em seguida, o desmanchar do senso comum, "mãe, inventaram minhas tradições" Tudo isto, ao som de Bille Holiday . (Welber Santos)
  
Não tenho a pretensão, perfeitamente cabível ao meu amigo, de me tornar uma intelectual. Por enquanto, vou tateando, vibrando quando vírgulas, crases e porquês não me dão rasteiras. Mas, Welber, como a gente costuma dizer quando um post é bom: “esse é pra levar pra vida! 


 Tudo isto, ao som de Jason Mraz, que me persegue há dias, não sem razão.  




quinta-feira, 6 de junho de 2013

KEILISTA KARAÍVA - "Garota Estileira"

Quando cheguei no Guarujá a sua família foi uma das primeiras que conheci. Curiosamente, você foi sempre a que tive menos contato. Notícias suas só tinha assim, an passant. Sempre voando. Uma hora no sul, outra em Sampa, outra em Trancoso...

Mas em janeiro, quando te levei algumas vezes para a radioterapia em Santos, nos aproximamos. Mesmo com a morte vigiando da esquina, falávamos de vida. Das nossas vidas. Amores, dissabores e planos (e você tinha tantos!): o restaurante, sua filha, um novo amor, talvez voltar a Trancoso, quem sabe?

Quem saberia, pelo menos quem ousaria naquele momento, pensar na estupidez da inexorabilidade da morte, esse hiato sem fim, desmantelando todos esses planos? Não sei se atropelo o sujeito ali dizendo que “quem tem planos não morre” ou, sei lá, acredito que seja melhor pensar assim que, de fato, você não tenha morrido, mas se libertado daquele corpo doente que não combinava nada, nada, contigo. Uma mulher inquieta, ativa, irreverente, multitalentosa, que colocava paixão em tudo que fazia. Como ficar presa naquele corpo carcomido?! Não era para você. Não mesmo.   

Vai, Keilista Karaiva! Vai ser livre de novo como sempre foi, ao sabor do vento. Vai visitar os corações abertos daqueles que te queriam tanto e tão bem, aqui, em Sampa, em Trancoso ou em qualquer outro lugar, vai sem medo.  A sua flor, a sua Antônia Flor que pelo visto será tão irreverente e determinada quanto à mãe, será muito amada por todos, tenho certeza.

Sabe, ontem mesmo, um cara que eu gosto muito, o Alessandro Martins, escreveu o seguinte: A grande pergunta não é se existe vida depois da morte, mas antes dela.” Quando li pensei em você e fiquei tranquila. Sei que a sua temporada por aqui foi curta, mas intensa, e só posso me despedir dizendo que foi um prazer te conhecer e fazer parte, pelo menos um pouquinho, da sua vida, garota “estileira” (nunca mais me esqueci do dia em que você definiu assim a minha calça, "estileira"). VOCÊ, sim, era o estilo em forma de gente. Tão única, autêntica, estilo, seu, só seu, intensa. Coisas de quem sabe que a vida, independente da morte, pede urgência.

Valeu, Keila!


Bem vinda, para sempre, ao meu coração. Beijo! 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Totens de Areia

Uma das primeiras lições que meu saudoso e sapiente pai me ensinou e eu, como aprendiz dedicada, captei rapidamente é: sempre questione as figuras dos mitos, heróis, salvadores da pátria e afins. A fé cega, sob qualquer aspecto, é campo fértil para os mitômanos, criaturas semelhantes a totens feitos de areia, que não resistem a vendavais constantes. Surgem assim, do nada, atendendo ao clamor de uma população vilipendiada, que esperando noite e dia por algo extraordinário que lhe tire do deserto da aflição, apega-se a qualquer miragem que apareça.

Na Câmara  Municipal do Guarujá, o guardião da moralidade e dos bons costumes do momento se apresenta na figura do Presidente  que, num arroubo ético sem precedentes, apropriou-se do título de “o novo caçador de marajás”, e acabou com os super salários de alguns funcionários da Casa. Atitude louvável, sem dúvida, não fosse o fato desses super salários terem sido aprovados pelos vereadores, inclusive por ELE MESMO, no apagar das luzes da legislatura passada. A mesma legislatura aonde ele também, enquanto líder da bancada governista, aprovou um aumento substancial para o Executivo, nesse caso, em ano de eleição, ferindo a Lei Orgânica Municipal. Atitude louvável, não fosse o fato de um Presidente da Câmara demorar TRÊS MESES para perceber um erro tão crasso na folha de pagamento que ELE PRÓPRIO assina. Estaria ele sofrendo da mesma amnésia aguda que acometeu a Prefeita por ocasião da contratação equivocada do marido?!

Paradoxalmente, se por um lado o nosso novo Collor de Melo acena de forma célere com a possibilidade de reorganização e moralização da Casa Legislativa do Guarujá, por outro lado, se mostra reticente quanto à investigação dos contratos atuais da Câmara, alias como deixou bem claro no seu esforço sobre-humano para arquivar o requerimento sobre o assunto, proposto por um vereador, ou quando sepultou qualquer possibilidade de discussão sobre o contrato da Unaerp com a Prefeitura. Seria a Unaerp mais um assunto “blindado” no Legislativo em um gentil acordo de cavalheiros entre a Câmara e o Executivo? Que faxina ética seria essa do Senhor Presidente da Câmara pautada sobre tamanha contrariedade?

Que sejamos mais parcimoniosos em relação à criação dos nossos mitos, heróis ou salvadores da pátria. Até porque não precisamos deles. A História tem demonstrado o quanto são inúteis. Que a descrença e a desilusão generalizada em nossos políticos não ceguem o nosso senso crítico, ao contrário, apure-o. Essa história collorida a gente já conhece e sabe que o final é triste. Se for só mais do mesmo, então que estejamos preparados para dizer NÃO de novo!

domingo, 12 de maio de 2013

"Minha mãe poderia, mas não falhou."


Ontem, enquanto participava de um curso sobre fiscalização do Poder Legislativo, ouvi o cientista político, prof. Humberto Dantas, dizer que no Brasil não existe o fomento, o incentivo às causas sociais dentro dos colégios, assim como na Alemanha. Fiz um retrospecto rápido da minha vida estudantil, procurando algo que pudesse contradizê-lo. Não encontrei nada relevante.  No colégio em que eu estudava, o trinômio de valores mais recorrentes eram os valores da mensalidade do colégio, do Country Club e da Cultura Inglesa.  

Mas se no colégio as causas não vieram da forma devida, em casa elas chegaram cedo.

Ela me apresentou  a Leonardo Boff, Dom Pedro Casaldaliga,  Paulo Evaristo Arns e ao Movimento Teologia da Libertação.  Aprendi que dentro da Igreja, havia coisas mais dolorosas do que se ajoelhar no momento da consagração.

Ela me mostrou que nem só de foundie e arremedo dos Alpes Suíços vive uma cidade, e fundou o primeiro partido político de esquerda, em um dos lugares mais elitistas da Região Serrana do Rio, numa época em que “ser de esquerda” era sinônimo de “gente estranha vestida de vermelho, comendo suflê de criancinha”.

Ela me trouxe a ONG Ser Mulher e me explicou que nem só de bombons e flores vivia o amor.   Que muitas mulheres sofriam com seus parceiros sob opressão, submissão, terror psicológico, violência física e que nada, nada disso, tinha a ver com amor.  

Com ela também aprendi noções de cidadania, do quanto é importante participar da vida política da cidade,  iterar-se,  comprometer-se com a causa certa, assim como ela se comprometia participando do Conselho Municipal de Saúde e da Rádio Comunitária, coisas que obviamente, ela com a sua consciência social aguçada também ajudou a criar, fundar, fortificar e frutificar.

Hoje, o que trago comigo são as lembranças da nossa participação (minha e do meu irmão) em todos esses processos pelos quais ela, a minha mãe, passou. Sempre fazia questão de nos participar o que estava acontecendo, quando não tinha a oportunidade de nos levar às reuniões e manifestações onde aprendíamos sobre diversidade, tolerância, ideais, objetivos e bem comum. Questões como: O que?, como?, onde? e por quê? sempre foram constantes nas nossas conversas em casa, enriquecendo a nossa formação, desenvolvendo o nosso senso crítico e apurando a nossa personalidade.

Sem dúvida, o colégio não tinha a obrigação de incutir valores na educação das crianças, mas poderia ter optado por fazê-lo de uma maneira mais efetiva, menos curricular, assim como fez a minha mãe que apesar de também não ter a obrigação, fez a escolha certa. Hoje, eu e meu irmão, com a convicção de que ela não falhou no seu propósito de formar cidadãos mais conscientes, agradecemos realizados. 

Beijo mãe, chego já!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

"Não tenha medo, vai chegar"


Segundo dados do IBGE, os idosos- pessoas com mais de 60 anos- já somam 23,5 milhões de brasileiros, e a tendência é que cheguemos a 2050 com esse número triplicado, ou seja, 64 milhões.  
Apesar dos avanços na área médica, na indústria de remédios e na melhoria da alimentação garantirem a longevidade, não necessariamente garantem a tranquilidade merecida a quem chega nessa faixa etária.  Os problemas são muitos (acessibilidade, assistência médica, exclusão social) e alguns segmentos da sociedade ainda não estão adaptados para atender a demanda, tornando a inserção do idoso, com suas qualidades e limitações, um verdadeiro desafio. 

Alguns empresários mais antenados saíram na frente e reconhecem na mão de obra do idoso um diferencial. Se por um lado não têm mais a agilidade de outrora, por outro, são mais atenciosos, concentrados e pontuais. Já existe um incremento de 70% de idosos no mercado de trabalho, segundo o superintendente do Ministério do Trabalho.
  
De olho nessa parcela da população que é responsável por movimentar uma parte significativa da economia (13,5 milhões de domicílios, tem os mais velhos como principais provedores financeiros), além dos banqueiros com seus empréstimos miraculosos e dos planos de saúde com mensalidades estratosféricas, os publicitários que, pelo visto, ainda não entenderam como representar esse novo consumidor, filão do mercado brasileiro, e insistem em fazer uma caricatura quando o assunto é velhice. Não conseguem, apesar de muito bem remunerados, fugir do trinômio: “velhinho gagá, engraçadinho ou saudosista”.  A última campanha da Fiat, por exemplo, onde a “velhinha alcoviteira” conta o segredo da amiga para a vizinhança, ilustra sobremaneira a falta de originalidade do setor, e me remete saudosamente à campanha do liquidificador Arno (essa sim, feita com humor inteligente).

Se vamos todos envelhecer, e eu espero que sim!, é melhor que comecemos a cuidar dos  nossos idosos,respeitando sobretudo a sua autonomia. A velhice não está intrinsecamente ligada a má qualidade de vida, ao desrespeito e a exclusão.  Talvez não seja a “melhor idade”, mas, como disse a atriz Fernanda Montenegro (83 anos e em plena atividade): “... é uma realidade, que vai piorar se você começar a achar que é uma desgraça. É da natureza e ponto, vamos tocar a vida.

Vambora tocar a vida então?!


quarta-feira, 13 de março de 2013

"SEU JORGE ESTÁ DORMINDO NA MINHA PORTA!"

"Tem o Brasil que é lindo
outro que fede
o Brasil que dá
é igualzinho ao que pede"

Seu Jorge chega só para dormir. Pelo menos tenta.Nunca pede nada. Se ajeita no papelão e nos poucos trapos sujos que carrega consigo. Sim, há um mendigo dormindo na minha porta, sob meus olhos. Converso com ele. Pergunto porque não procura o abrigo da prefeitura. Ele me diz que já esteve por lá mas não gostou, que se vira melhor na rua. Diz também que "era bem de vida". Que perdeu tudo quando colocaram fogo no seu barraco. Começa a chover. Chuva forte que incomoda. Não menos que saber que Seu Jorge está lá fora encharcado. Abro o armário e pego uma dessas capas de chuva, compradas para dias de jogo em estádios de futebol. Será que Seu Jorge já foi a algum jogo? Penso abobalhadamente, enquanto digo para o homem ali deitado: "Seu Jorge, levante os braços. Isso! Agora a bunda, Seu Jorge..." (a boca banguela se escangalha de rir). Os meninos passam por ele e o cumprimentam. Davi pergunta: "Seu Jorge, que música que você canta?" A música que ele canta ninguém ouve, filho. Nem sabem que ele fala, sequer o enxergam. Esse Seu Jorge é outro, filho. Outro que ninguém quer. E a vida segue...

sexta-feira, 8 de março de 2013

"AS ROSAS ACEITEM..."


Hoje, nós mulheres, receberemos rosas. Aceitem.

As rosas aceitem.

Mas não aceitem a invisibilidade, a anulação, a violência física e psicológica, a submissão.

Não aceitem o machismo, a misoginia, a ditadura da moda, do corpo perfeito, o padrão.

Não aceitem menores salários, piores cargos, assédio sexual e moral, a desvalorização.

As rosas aceitem.

Mas não aceitem a falta de assistência social, de políticas públicas, a negligência, a omissão.

Não aceitem a piada da “loira burra”, da “vaca que dá bom dia”, da amiga traiçoeira e invejosa,  a humilhação.

Não aceitem a "rainha do lar", pais ausentes, faxina, louça, fogão, a falta de colaboração.

As rosas aceitem.

Mas não aceitem quem não respeita individualidade, autonomia, espaço, vontade, desejo.

Não aceitem quem nos quer metade, laranjas, castradas, caladas, menores, feridas,

MORTAS. 

Mas as rosas aceitem... ou NÃO!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

FAMOSOS PORQUE IMPORTANTES, OU IMPORTANTES PORQUE FAMOSOS?


“No futuro todos terão seus quinze minutos de fama”. A frase “profetizada” pelo artista plástico americano, Andy Warhol, nunca foi tão precisa. Na era da superexposição, celebridades instantâneas se proliferam como bolhas de sabão e estamos cada vez mais exibidos.  Conectados. Plugados. Com a vida por um fio (ou não, nos casos de conexão WI-FI), queremos ver e, principalmente, ser vistos, o que na maioria das vezes, relega a segundo plano a preocupação com a qualidade do que será oferecido à apreciação pública (ok, a triagem fica por nossa conta) 
Nas redes sociais temos seguidores que vigiam ações alheias pontualmente com uma curiosidade voraz, saciando a vaidade de quem produz conteúdos específicos para atender a um público exigente em relação às novidades, sejam elas quais forem (fato que, sinceramente, me causa estranheza. Conheço histórias escabrosas de um passado recente, onde, ser seguido e vigiado o tempo todo era o que as pessoas menos queriam).
A verdade é que tudo vira notícia na grande rede (a da Marina não, por favor): a fofice recente do bebê, o avião em chamas, a balada bombando, o esmalte da moda, a calipígia do momento e até algum texto interessante, desde que, não tenha muitos caracteres, caso contrário, seremos fortes candidatos a levar um unfollowed, ou pior, nos recomendarão o retorno àquela rede social “antiga e brega” que muitos renegam ser oriundos, o ORKUT ( sim, navegar na internet é preciso, generalizar não é preciso). 
Mas não nos preocupemos com as nossas postagens.  O uso da palavra “unanimidade” está muito mainstream e, portanto, excluído do nosso dicionário. Sempre encontraremos alguém capaz de curtir, compartilhar ou retwittar o que postamos, por mais duvidoso que possa parecer o nosso (bom?) gosto.
No mais, a Internet continuará suprindo “todas as nossas necessidades”, inclusive de aceitação e de inserção garantindo, perfeitamente, a nossa felicidade. Aliás, tão perfeitamente que desconfio se isso não seria um plano do Dr. Gori (corre no Google) para transformar a todos nós em avatares e exterminar de vez a raça humana.  Bobagem? Por via das dúvidas, é melhor que fiquemos atentos. A vida real também inspira cuidados e atenção. Não teremos uma segunda chance.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

"A MÃE DA REVOLUÇÃO"


     Apesar de ter nascido sob um regime ditatorial, ela não se intimidou.  A  omissão seria a opção mais provável para quem vivia numa situação privilegiada em relação à maioria da população, mas ela fez uma escolha diferente. Foi à faculdade, tornou-se mulher, esposa, mãe e, ainda assim, nada disso calou a inquietação que sentia. Queria mais, queria a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, queria o módico direito de “usar um celular” e a utopia de derrubar um governo que há mais de 30 anos estava no poder.
     Mesmo que houvesse convicção, sabia que o caminho escolhido não seria o mais fácil. Com a família ameaçada,  tentativas de submissão e até mesmo de assassinato, contrariou as expectativas e fez da repressão  o combustível primordial para  o aumento do seu engajamento político.  Foi às ruas, participou e organizou protestos, foi presa por diversas vezes, e tornou-se um dos maiores ícones na luta contra um governo opressor, sobretudo legitimada pelo seu povo, ao qual retribuiu, tornando-se  porta voz, levando o clamor de toda uma nação aos quatro cantos do mundo. Quando questionada sobre o apoio da comunidade internacional,  se apressava em dizer que seus laços com organizações e outros países eram laços entre iguais e não subordinação, deixando claro a autonomia, uma de suas principais características até hoje.  
     Em 2005, junto com mais sete mulheres jornalistas e ativistas, numa atitude sem precedentes, fundou o “Mulheres Jornalistas Sem Correntes”, uma organização calcada na defesa dos direitos humanos, e que acabou se tornando um marco no seu histórico de conquistas, aumentando, e muito,  a sua visibilidade.   
     Em 2011, os protestos contra a longa opressão causada pelo governo em seu país aumentavam, e ela encabeçou os movimentos mais representativos em  oposição ao regime, dentre eles, o chamado “Dia de Fúria”, similar aos que haviam inspirado as revoltas no Egito e na Tunísia. Eram os ares da Primavera Árabe chegando ao Iêmen, onde a jornalista e ativista Tawakul Karman foi peça fundamental para a sua disseminação : Nós vamos continuar até a queda do regime de Ali Abdullah Saleh ... “ foram as palavras de Tawakul Karman, no dia 17 de março de 2011. E  assim foi feito. Não resistindo a pressão, no dia 25 de fevereiro de 2012, Saleh, finalmente, renunciou à presidência e transferiu o poder para o seu sucessor depois de 33 anos. 
     Ainda em 2011, Tawakul Karman é anunciada como uma das laureadas do Prêmio Nobel da Paz pelo seu ativismo político. Do acampamento onde estava em resistência ao governo de Saleh, disse que não esperava e dividiu o prêmio com todos da Líbia, Síria e Iêmen que, como ela, lutavam por uma vitória pela demanda de cidadania e direitos humanos. Logo em seguida, na esteira da sucesso do prêmio, viaja ao Quatar em busca de apoio para a instalação de uma rede de rádio e TV.
Atualmente no seu facebook, Tawakul Karman  se define “como uma cidadã do mundo, tendo a  terra como pátria e a humanidade como nação.”
    Em sendo o Brasil também a sua pátria e nós sua nação, esperamos receber em breve a visita dessa grande mulher que tem muito a nos dizer sobre seus ideais de justiça e liberdade.
     Karman, "su casa mi casa"!
     

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

"O PAPA NUNCA FOI POP!"


E eis que, em plena segundona de carnaval, momento sagrado para muitos de nós brasileiros (desculpem a heresia), o Papa Bento  XVI anuncia que vai renunciar ao seu papado, alegando razões de saúde, ou melhor, falta dela. 

Mas ao que tudo indica e corre a boca grande nos corredores do Vaticano, o motivo real de sua saída seria o xeque mate que o pobre Pontífice levou antes mesmo de entregar a Tiara Papal quando partisse para a Glória (Glória? Vai saber...).  

Se de um lado, o PAPA se viu encurralado por várias denúncias de corrupção, leniência com os casos de padres pedófilos, e o aumento significativo de vários grupos pedindo a modernização da Igreja Católica , como por exemplo, o movimento  Pfarrer-Initiative (Iniciativa dos Párocos) na Áustria, onde, centenas de padres assinaram um manifesto requerendo, entre outras coisas, a  comunhão para os divorciados e a ordenação de mulheres, por outro lado, aquele lado que deveria lhe dar apoio, a ala (não a de escola de samba, por favor, já é quarta-feira de cinzas. Chega, né?!) direitista do Vaticano, da qual ele foi um dos expoentes máximos quando ela precisava se solidificar (sim, Ratzinger  foi o que impôs o famoso “cala a boca”dado ao Frei Leonardo Boff, aquele da Teologia da Libertação),parece  estar mais preocupada com a briga pela sua sucessão, levando até mesmo alguns jornalistas especialistas no assunto, a usarem o termo “lutas fratricidas” para explicar o quadro que se encontra por aquelas bandas.   

Verdade é que o PAPA nunca foi pop. De linhagem ultraconservadora, ortodoxa, optou por fazer ouvidos moucos aos apelos de mudança que agora chegam via online e transpassam os muros das  igrejas e  das religiões. Numa tentativa -até patética- diria eu, tentou estancar a sangria de fieis perdidos para as igrejas neo-pentecostais que facilitam, e muito, os degraus a serem galgados rumo ao pedacinho no céu, lançando o seu twitter santo. O último fôlego no esforço de se aproximar das “ovelhas desgarradas” infelizmente chegou tarde. Não adiantou twitter para um PAPA que, de fato, nunca quis se comunicar. 

E não se enganem quando a fumacinha branca aparecer e o novo PAPA for anunciado. A tendência é que o Vaticano continue hermeticamente fechado. O poder vai mudar de mãos, mas o conservadorismo continuará.
Bom, só nos resta agora aguardar, numa prova cabal de que “o novo sempre vem”, a última twitada  do PAPA, que seria mais ou menos assim:

#partiumosteiro!

E que se inicie a Quaresma... 



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Pérola do Atlântico aos Porcos?!

Ainda que eu me esforce, continuo achando, no mínimo, "pitoresco" o ouriçamento dos "cidadãos de bem, honestos, pagadores de impostos, que chegaram até onde chegaram através de muito trabalho e mérito" no que se refere a recente onda de "invasão" de moradores de rua, drogaditos e afins, aos locais (ditos) nobres da cidade do Guarujá. E agora? A tão sonhada PAZ que compraram a peso de ouro (exposto nos carnês do IPTU) está ameaçada!! Segundo dados da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Guarujá vem numa curva descendente de desenvolvimento social há, pelo menos, uma década. São mais de cem favelas, terrenos invadidos, comunidades carentes de aterramento sanitário, água e luz, tráfico dominando favelas e banalizando a morte. Isso sem contar os péssimos índices no Ideb, na área de educação, a carência no atendimento público de saúde, o número elevado de mortalidade infantil (um dos maiores do estado), o desemprego entre os jovens chegando aos 42% e, estatísticas sombrias, como por exemplo,  as do comércio do bairro mais populoso da cidade, onde, em cada quarteirão, uma ou mais pessoas já perderam a vida, vítimas de assaltos. Mas parece que mesmo com esse contexto, somente agora, onde uma horda de gente feia e encardida anda emporcalhando a imagem da nossa querida Pérola do Atlântico, tão cara aos nossos queridos turistas endinheirados e a outros tantos nem tão endinheirados assim mas sofredores da mesma empáfia, é que começam a suscitar clamores de  "providências enérgicas" para contenção dessa "situação insustentável".  O colapso social que só agora uns se aperceberam, EXISTE HÁ MUITO TEMPO na cidade. Só não enxergou quem, ou por comodismo, ou por indiferença, quiçá os dois, não quis ver. A miséria não incomoda quando está segregada nas periferias, mas nem por isso ela deixa de existir e crescer. No Guarujá cresceu a tal ponto, que agora bate na porta dos condomínios de luxo e causa indignação aos "cidadãos de bem, honestos, pagadores de impostos e blablablá... " que, dentro dos seus aquários, não percebem que o que perambula pelas ruas, pelas orlas das lindas praias da cidade no momento, é  a ponta do iceberg de um problema social crônico, causado não só pelo desfile de governos omissos, mas também pela omissão de uma sociedade altamente excludente, ainda que não se reconheça como tal. Mas não se espantem, caros amigos!! Estamos apenas experimentando do veneno que nós mesmos ajudamos a criar e, sinto-lhes informar, a continuar com essa visão estreita e superficial sobre o problema, o prognóstico não é dos melhores. Preparem os olhinhos para o que ainda verão...

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"DEIXEM ELA MORRER EM PAZ!"

Quando entro na enfermaria, vejo que a pessoa a quem fui visitar está bem. Ao lado dela, outra mulher. Parece grávida. Pergunto o que há e recebo a resposta de que não é “problema com a gravidez”. Ela tem um tumor, ela tem metástase e ela não tem mais vida. É uma paciente classificada como terminal. Vomita sem parar. Quase desfalecida, agoniza ao lado de um marido apático. Impotente diante da morte? Conformado?
A cena incomoda. Me incomoda. Muito. Não pela doença, não que seu martírio me ofenda. É a impotência que me corrói. O sofrimento dela me corrói. A dor dela me dói... 
Na sala de enfermagem pergunto se alguém pode fazer algo por aquela mulher e uma das primeiras perguntas que me fazem é se “sou sua acompanhante”. Por quê? A resposta seria diferente? Num tom burocrático, a enfermeira me explica que o caso dela é terminal, que já comunicou a família, que o médico já medicou e disse que “a deixassem morrer em paz!”
Insisto. Não seria o caso de uma UTI? “Filha, não podemos fazer mais nada. Para mandá-la para casa, é melhor que fique aqui com um ‘certo conforto’”. 
As palavras dançam na minha cabeça junto com os gritos da mulher. CONFORTO,PAZ... Não vejo nada disso!! Só vejo uma mulher agonizando, desesperada, esperando que alguém possa fazer algo por ela. Onde foi que se enfiou a bosta da sensibilidade dessa gente? Sim, ela está morrendo como todos nós. A diferença é que nesse momento ela está com dor, sofrendo... Onde está a medicina moderna, aquela que vemos nas reportagens de TV, capaz de amenizar esse final tão trágico? A quem cabe usufruir? A quem cabe o direito de decidir quem deve usufruir de um mínimo de respeito numa hora dessas? 
Voltei para casa levando aquela mulher comigo. Estava pesada. Muito pesada...
Hoje, soube que morreu ontem pela manhã. Morreu. No mesmo lugar, com a mesma desatenção, com as mesmas pessoas ao redor, vacinadas pela apatia, assistindo a sua “pequena tragédia”. Morreu. Mas sem conforto e sem paz. Disso, e nesse momento só disso, eu tenho certeza!



sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

C'est Fini


Começamos no fim
Pra não ter nunca mais que acabar.
Paramos no meio sem saber aonde ia dar.
Terminamos ansiosos, buscando recomeçar.  
Eu aqui...
...você acolá.