quarta-feira, 3 de abril de 2013

"Não tenha medo, vai chegar"


Segundo dados do IBGE, os idosos- pessoas com mais de 60 anos- já somam 23,5 milhões de brasileiros, e a tendência é que cheguemos a 2050 com esse número triplicado, ou seja, 64 milhões.  
Apesar dos avanços na área médica, na indústria de remédios e na melhoria da alimentação garantirem a longevidade, não necessariamente garantem a tranquilidade merecida a quem chega nessa faixa etária.  Os problemas são muitos (acessibilidade, assistência médica, exclusão social) e alguns segmentos da sociedade ainda não estão adaptados para atender a demanda, tornando a inserção do idoso, com suas qualidades e limitações, um verdadeiro desafio. 

Alguns empresários mais antenados saíram na frente e reconhecem na mão de obra do idoso um diferencial. Se por um lado não têm mais a agilidade de outrora, por outro, são mais atenciosos, concentrados e pontuais. Já existe um incremento de 70% de idosos no mercado de trabalho, segundo o superintendente do Ministério do Trabalho.
  
De olho nessa parcela da população que é responsável por movimentar uma parte significativa da economia (13,5 milhões de domicílios, tem os mais velhos como principais provedores financeiros), além dos banqueiros com seus empréstimos miraculosos e dos planos de saúde com mensalidades estratosféricas, os publicitários que, pelo visto, ainda não entenderam como representar esse novo consumidor, filão do mercado brasileiro, e insistem em fazer uma caricatura quando o assunto é velhice. Não conseguem, apesar de muito bem remunerados, fugir do trinômio: “velhinho gagá, engraçadinho ou saudosista”.  A última campanha da Fiat, por exemplo, onde a “velhinha alcoviteira” conta o segredo da amiga para a vizinhança, ilustra sobremaneira a falta de originalidade do setor, e me remete saudosamente à campanha do liquidificador Arno (essa sim, feita com humor inteligente).

Se vamos todos envelhecer, e eu espero que sim!, é melhor que comecemos a cuidar dos  nossos idosos,respeitando sobretudo a sua autonomia. A velhice não está intrinsecamente ligada a má qualidade de vida, ao desrespeito e a exclusão.  Talvez não seja a “melhor idade”, mas, como disse a atriz Fernanda Montenegro (83 anos e em plena atividade): “... é uma realidade, que vai piorar se você começar a achar que é uma desgraça. É da natureza e ponto, vamos tocar a vida.

Vambora tocar a vida então?!