sábado, 22 de janeiro de 2011

"EM QUAL PLANETA VOCÊ VIVE, JOSEFA?"

     Quando o Pedro nasceu, Josefa trabalhava aqui em casa. Pessoa boníssima mas que, às vezes, diz umas coisas que me faz, sinceramente, desconfiar que talvez ela não more no mesmo "planeta" que eu. Ontem ela esteve aqui em casa. Quando percebeu que eu tinha cortado o cabelo, perguntou com ar de espanto:
     "-SEU MARIDO DEIXOU VOCÊ CORTAR O CABELO?"
     Comecei a rir e perguntei:
     "-E PRECISA?"
     E ela continuou convicta:
     "-LÓGICO, NÉ ?!"  
     Depois dessa entrada, continuou com a sua inspeção minuciosa para  notar em mim, o que mais eu poderia ter mudado para "tentar afrontar" o meu marido. Foi aí que ela descobriu os 1.750 "problemas" que adquiri nos últimos anos, e que tento negar todos os dias que existam:
     "-TÁ MAIS GORDA,NÉ?!"
      Respondi laconicamente, "é...dei uma engordadinha!", conformada que ela diria a mesma coisa até se eu tivesse engordado só duzentos gramas. O pior, foi o olhar que ela fez quando disse isso. Ah, mas como tinha coisa por trás daquele olhar! Aposto que ela estava pensando: 
     "-IH, CUIDADO HEIN! ENGORDANDO ASSIM, TEU MARIDO NÃO VAI TE QUERER MAIS NÃO!!"
      Foi então que nessa hora também pensei:
     "-AHHHHH... A QUE HORAS SAI A PRÓXIMA NAVE PARA JÚPITER,HEIN?!"

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

"PEIXE-LATA SUBIU NO TELHADO!"

     Ontem, depois de um ano e meio aqui em casa, peixe-lata deu adeus à esse mundão de meodeos. "Peixe-lata" era o peixinho dos meninos, e tinha esse nome porque não sabíamos qual era a raça dele. Aliás, era uma estratégia minha saber o menos possível sobre para não me apegar ao bichinho, mas de nada adiantou. Ontem passei o dia inteiro triste e lamentando a sua morte.
     No começo, não o queria em casa. Pedro estava de férias, recebia primos e todos pediam um peixinho. E eu, firme, durona, dizia: "NÃO!" Mas (olha ele aí de novo, sempre tem um MAS) nunca duvidem do "corporativismo infantil" quando querem alguma coisa. Diante da minha constante negativa e de um desafio, comprar um peixe apenas com os dois reais que tinham, mobilizaram-se de tal forma que, em menos de meia hora, apareceu na minha frente um aquário com lindas pedrinhas decorativas e...UM PEIXE. Alguém imagina que um peixe possa custar dois reais? Pois eu não imaginava.
     Pedro prometeu que colocaria comidinha, levaria para passear e limparia o cocô, ainda que ele fosse só um peixe. Será que é redundância minha afirmar que a parte de "cuidar bem do bichinho" ficou para a mamãe aqui?
     Pois é, as primeiras vezes em que eu ia trocar a água do aquário, olhava bem para ele e pensava: "que sem graça! Quem pode querer um bicho de estimação desses? Não interage. Não abana o rabinho..."  e depois, também achava meio triste ver aquele bicho ali, preso, naquele lugar tão limitado, pior, essa condição dele me fazia refletir sobre os meus próprios aquários, e  comecei a achar que ele me olhava com um certo ar de superioridade. Parecia me perguntar: "E aí? Quem deve ter pena de quem aqui?"
     Questões filosóficas e existenciais à parte, fato é que o "Peixe-Lata" me conquistou. Parece que me conhecia. Não abanava o "rabinho" mas ficava super eufórico quando eu me aproximava do aquário. Não, não era com todos e nem por causa da comida. Para evitar possíveis frustrações, fiz o teste várias vezes. A "serelepice" era mesmo só para com a querida aqui.
     E assim vivemos felizes até ontem quando ele começou a se estrebuchar bem na minha frente sem eu poder fazer nada, para em seguida tornar-se inerte, imóvel,  sem vida. Enterrei-o na vaso de plantas lá fora junto com a Tite, a tartaruga que tivemos aqui em casa, e que foi a grande frustração da minha vida em termos de cuidados com bichos. Durou apenas um mês.
     Bom, agora o aquário está aqui vazio e ainda não tive coragem de contar para os meninos que o peixe morreu. O Pedro até agora não percebeu que o aquário está vazio, mas sei que quando ele souber vai ,sim, ficar triste. Só estou tomando um fôlego e me preparando para dizer: "Filho, o 'peixe-lata' subiu no telhado!"