
No começo, não o queria em casa. Pedro e Davi estavam de férias, recebiam primos e todos pediam um peixinho. E eu, firme, dizia: "NÃO!" Mas (olha ele aí de novo, sempre tem um MAS) nunca duvidem do "corporativismo infantil" quando querem alguma coisa. Diante da minha constante negativa e de um desafio, comprar um peixe apenas com os dois reais que tinham, mobilizaram-se de tal forma que, em menos de meia hora, apareceu na minha frente um aquário com lindas pedrinhas decorativas e...UM PEIXE! Alguém imagina que um peixe possa custar dois reais? Pois eu não imaginava.
Pedro prometeu que colocaria comidinha, levaria para passear e limparia o cocô, mas, será que é redundância minha afirmar que a parte de "cuidar bem do bichinho" ficou para a mamãe aqui?
Pois é, as primeiras vezes em que eu ia trocar a água do aquário, olhava bem para ele e pensava: "que sem graça! Quem pode querer um bicho de estimação desses? Não interage. Não abana o rabinho..." e depois, também achava meio triste ver aquele bicho ali, preso, naquele lugar tão limitado, pior, essa condição dele me fazia refletir sobre os meus próprios aquários, e comecei a achar que ele me olhava com um certo ar de superioridade. Parecia me perguntar: "E aí? Quem deve ter pena de quem aqui?"
Questões filosóficas e existenciais à parte, fato é que o Peixe Lata me conquistou. Parece que me conhecia. Não abanava o rabinho,mas ficava eufórico quando eu me aproximava do aquário. Não, não era com todos e nem por causa da comida. Para evitar possíveis frustrações, fiz o teste várias vezes. A serelepice era mesmo só para com a querida aqui.
E assim vivemos felizes até ontem quando ele começou a se estrebuchar bem na minha frente sem eu poder fazer nada, para em seguida tornar-se inerte, imóvel, sem vida. Enterrei-o na vaso de plantas lá fora junto com a Tite, a tartaruga que tivemos aqui em casa, e que foi a grande frustração da minha vida em termos de cuidados com bichos. Durou apenas um mês.
Bom, agora o aquário está aqui vazio e ainda não tive coragem de contar para os meninos que o peixe morreu. Eles até agora não perceberam que o aquário está vazio, mas sei que quando souberem vão,sim, ficar tristes. Só estou tomando fôlego e me preparando para dizer: "Filhos, o 'Peixe Lata' subiu no telhado!"
Pedro até agora não percebeu que o aquário está vazio.
ResponderExcluirhahahaha pois bem, isso evidencia a preocupacao da criatura em relacao ao animal de estimacao. hehehe e fiquei me perguntando: "peixe-lata?" fofo!
Luci,como eu previa, quando Pedro soube, ainda que tardiamente, foi um chororô só. Nossa! Tive que usar toda minha psicologia infantil adquirida num "cursinho de férias em Harward" para consolá-lo.Tadinho...deu dó!
ResponderExcluirUia....esse cursinho de psicologia infantil que fez foi dos melhores, hein? Anda usando não só com Pedrinho, mas com todos nós leitores!
ResponderExcluirLindona...não vejo a hora de ver sua primeira publicação: "Rapidinhas de Pedrinho!"
Amiga, se precisar de ajuda para suas questões existenciais podemos combinar umas sessões de musicoterapia!!! Mas se te conforta, tb tenho um peixinho aqui em casa. E tb é a mamãe aqui que cuida. O "Kiko" tem 2 anos, mas não sei se vai muito longe. Está meio louco, sabe?! Vc já viu peixe deitar? O daqui de casa passa o dia inteiro deitado. Pode uma coisa dessa? De qualquer forma é muito importante para nossos filhos passarem por situações como essa, de perda. Não somos eternos e se isso é percebido desde a infância, principalmente com apoio e naturalidade, acredito que fique mais fácil para eles.
ResponderExcluirOi Michele! Fiquei super feliz com a sua visita aqui! Obrigada! Guarde uma vaguinha prá mim nas suas sessões de musicoterapia,ok?! "Quem canta seus males espanta",né? Se bem que, no meu caso, tá mais prá "Quem canta SEUS PARES espanta" rsrsrs Bj!
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