quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

FAMOSOS PORQUE IMPORTANTES, OU IMPORTANTES PORQUE FAMOSOS?


“No futuro todos terão seus quinze minutos de fama”. A frase “profetizada” pelo artista plástico americano, Andy Warhol, nunca foi tão precisa. Na era da superexposição, celebridades instantâneas se proliferam como bolhas de sabão e estamos cada vez mais exibidos.  Conectados. Plugados. Com a vida por um fio (ou não, nos casos de conexão WI-FI), queremos ver e, principalmente, ser vistos, o que na maioria das vezes, relega a segundo plano a preocupação com a qualidade do que será oferecido à apreciação pública (ok, a triagem fica por nossa conta) 
Nas redes sociais temos seguidores que vigiam ações alheias pontualmente com uma curiosidade voraz, saciando a vaidade de quem produz conteúdos específicos para atender a um público exigente em relação às novidades, sejam elas quais forem (fato que, sinceramente, me causa estranheza. Conheço histórias escabrosas de um passado recente, onde, ser seguido e vigiado o tempo todo era o que as pessoas menos queriam).
A verdade é que tudo vira notícia na grande rede (a da Marina não, por favor): a fofice recente do bebê, o avião em chamas, a balada bombando, o esmalte da moda, a calipígia do momento e até algum texto interessante, desde que, não tenha muitos caracteres, caso contrário, seremos fortes candidatos a levar um unfollowed, ou pior, nos recomendarão o retorno àquela rede social “antiga e brega” que muitos renegam ser oriundos, o ORKUT ( sim, navegar na internet é preciso, generalizar não é preciso). 
Mas não nos preocupemos com as nossas postagens.  O uso da palavra “unanimidade” está muito mainstream e, portanto, excluído do nosso dicionário. Sempre encontraremos alguém capaz de curtir, compartilhar ou retwittar o que postamos, por mais duvidoso que possa parecer o nosso (bom?) gosto.
No mais, a Internet continuará suprindo “todas as nossas necessidades”, inclusive de aceitação e de inserção garantindo, perfeitamente, a nossa felicidade. Aliás, tão perfeitamente que desconfio se isso não seria um plano do Dr. Gori (corre no Google) para transformar a todos nós em avatares e exterminar de vez a raça humana.  Bobagem? Por via das dúvidas, é melhor que fiquemos atentos. A vida real também inspira cuidados e atenção. Não teremos uma segunda chance.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

"A MÃE DA REVOLUÇÃO"


     Apesar de ter nascido sob um regime ditatorial, ela não se intimidou.  A  omissão seria a opção mais provável para quem vivia numa situação privilegiada em relação à maioria da população, mas ela fez uma escolha diferente. Foi à faculdade, tornou-se mulher, esposa, mãe e, ainda assim, nada disso calou a inquietação que sentia. Queria mais, queria a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, queria o módico direito de “usar um celular” e a utopia de derrubar um governo que há mais de 30 anos estava no poder.
     Mesmo que houvesse convicção, sabia que o caminho escolhido não seria o mais fácil. Com a família ameaçada,  tentativas de submissão e até mesmo de assassinato, contrariou as expectativas e fez da repressão  o combustível primordial para  o aumento do seu engajamento político.  Foi às ruas, participou e organizou protestos, foi presa por diversas vezes, e tornou-se um dos maiores ícones na luta contra um governo opressor, sobretudo legitimada pelo seu povo, ao qual retribuiu, tornando-se  porta voz, levando o clamor de toda uma nação aos quatro cantos do mundo. Quando questionada sobre o apoio da comunidade internacional,  se apressava em dizer que seus laços com organizações e outros países eram laços entre iguais e não subordinação, deixando claro a autonomia, uma de suas principais características até hoje.  
     Em 2005, junto com mais sete mulheres jornalistas e ativistas, numa atitude sem precedentes, fundou o “Mulheres Jornalistas Sem Correntes”, uma organização calcada na defesa dos direitos humanos, e que acabou se tornando um marco no seu histórico de conquistas, aumentando, e muito,  a sua visibilidade.   
     Em 2011, os protestos contra a longa opressão causada pelo governo em seu país aumentavam, e ela encabeçou os movimentos mais representativos em  oposição ao regime, dentre eles, o chamado “Dia de Fúria”, similar aos que haviam inspirado as revoltas no Egito e na Tunísia. Eram os ares da Primavera Árabe chegando ao Iêmen, onde a jornalista e ativista Tawakul Karman foi peça fundamental para a sua disseminação : Nós vamos continuar até a queda do regime de Ali Abdullah Saleh ... “ foram as palavras de Tawakul Karman, no dia 17 de março de 2011. E  assim foi feito. Não resistindo a pressão, no dia 25 de fevereiro de 2012, Saleh, finalmente, renunciou à presidência e transferiu o poder para o seu sucessor depois de 33 anos. 
     Ainda em 2011, Tawakul Karman é anunciada como uma das laureadas do Prêmio Nobel da Paz pelo seu ativismo político. Do acampamento onde estava em resistência ao governo de Saleh, disse que não esperava e dividiu o prêmio com todos da Líbia, Síria e Iêmen que, como ela, lutavam por uma vitória pela demanda de cidadania e direitos humanos. Logo em seguida, na esteira da sucesso do prêmio, viaja ao Quatar em busca de apoio para a instalação de uma rede de rádio e TV.
Atualmente no seu facebook, Tawakul Karman  se define “como uma cidadã do mundo, tendo a  terra como pátria e a humanidade como nação.”
    Em sendo o Brasil também a sua pátria e nós sua nação, esperamos receber em breve a visita dessa grande mulher que tem muito a nos dizer sobre seus ideais de justiça e liberdade.
     Karman, "su casa mi casa"!
     

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

"O PAPA NUNCA FOI POP!"


E eis que, em plena segundona de carnaval, momento sagrado para muitos de nós brasileiros (desculpem a heresia), o Papa Bento  XVI anuncia que vai renunciar ao seu papado, alegando razões de saúde, ou melhor, falta dela. 

Mas ao que tudo indica e corre a boca grande nos corredores do Vaticano, o motivo real de sua saída seria o xeque mate que o pobre Pontífice levou antes mesmo de entregar a Tiara Papal quando partisse para a Glória (Glória? Vai saber...).  

Se de um lado, o PAPA se viu encurralado por várias denúncias de corrupção, leniência com os casos de padres pedófilos, e o aumento significativo de vários grupos pedindo a modernização da Igreja Católica , como por exemplo, o movimento  Pfarrer-Initiative (Iniciativa dos Párocos) na Áustria, onde, centenas de padres assinaram um manifesto requerendo, entre outras coisas, a  comunhão para os divorciados e a ordenação de mulheres, por outro lado, aquele lado que deveria lhe dar apoio, a ala (não a de escola de samba, por favor, já é quarta-feira de cinzas. Chega, né?!) direitista do Vaticano, da qual ele foi um dos expoentes máximos quando ela precisava se solidificar (sim, Ratzinger  foi o que impôs o famoso “cala a boca”dado ao Frei Leonardo Boff, aquele da Teologia da Libertação),parece  estar mais preocupada com a briga pela sua sucessão, levando até mesmo alguns jornalistas especialistas no assunto, a usarem o termo “lutas fratricidas” para explicar o quadro que se encontra por aquelas bandas.   

Verdade é que o PAPA nunca foi pop. De linhagem ultraconservadora, ortodoxa, optou por fazer ouvidos moucos aos apelos de mudança que agora chegam via online e transpassam os muros das  igrejas e  das religiões. Numa tentativa -até patética- diria eu, tentou estancar a sangria de fieis perdidos para as igrejas neo-pentecostais que facilitam, e muito, os degraus a serem galgados rumo ao pedacinho no céu, lançando o seu twitter santo. O último fôlego no esforço de se aproximar das “ovelhas desgarradas” infelizmente chegou tarde. Não adiantou twitter para um PAPA que, de fato, nunca quis se comunicar. 

E não se enganem quando a fumacinha branca aparecer e o novo PAPA for anunciado. A tendência é que o Vaticano continue hermeticamente fechado. O poder vai mudar de mãos, mas o conservadorismo continuará.
Bom, só nos resta agora aguardar, numa prova cabal de que “o novo sempre vem”, a última twitada  do PAPA, que seria mais ou menos assim:

#partiumosteiro!

E que se inicie a Quaresma... 



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Pérola do Atlântico aos Porcos?!

Ainda que eu me esforce, continuo achando, no mínimo, "pitoresco" o ouriçamento dos "cidadãos de bem, honestos, pagadores de impostos, que chegaram até onde chegaram através de muito trabalho e mérito" no que se refere a recente onda de "invasão" de moradores de rua, drogaditos e afins, aos locais (ditos) nobres da cidade do Guarujá. E agora? A tão sonhada PAZ que compraram a peso de ouro (exposto nos carnês do IPTU) está ameaçada!! Segundo dados da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Guarujá vem numa curva descendente de desenvolvimento social há, pelo menos, uma década. São mais de cem favelas, terrenos invadidos, comunidades carentes de aterramento sanitário, água e luz, tráfico dominando favelas e banalizando a morte. Isso sem contar os péssimos índices no Ideb, na área de educação, a carência no atendimento público de saúde, o número elevado de mortalidade infantil (um dos maiores do estado), o desemprego entre os jovens chegando aos 42% e, estatísticas sombrias, como por exemplo,  as do comércio do bairro mais populoso da cidade, onde, em cada quarteirão, uma ou mais pessoas já perderam a vida, vítimas de assaltos. Mas parece que mesmo com esse contexto, somente agora, onde uma horda de gente feia e encardida anda emporcalhando a imagem da nossa querida Pérola do Atlântico, tão cara aos nossos queridos turistas endinheirados e a outros tantos nem tão endinheirados assim mas sofredores da mesma empáfia, é que começam a suscitar clamores de  "providências enérgicas" para contenção dessa "situação insustentável".  O colapso social que só agora uns se aperceberam, EXISTE HÁ MUITO TEMPO na cidade. Só não enxergou quem, ou por comodismo, ou por indiferença, quiçá os dois, não quis ver. A miséria não incomoda quando está segregada nas periferias, mas nem por isso ela deixa de existir e crescer. No Guarujá cresceu a tal ponto, que agora bate na porta dos condomínios de luxo e causa indignação aos "cidadãos de bem, honestos, pagadores de impostos e blablablá... " que, dentro dos seus aquários, não percebem que o que perambula pelas ruas, pelas orlas das lindas praias da cidade no momento, é  a ponta do iceberg de um problema social crônico, causado não só pelo desfile de governos omissos, mas também pela omissão de uma sociedade altamente excludente, ainda que não se reconheça como tal. Mas não se espantem, caros amigos!! Estamos apenas experimentando do veneno que nós mesmos ajudamos a criar e, sinto-lhes informar, a continuar com essa visão estreita e superficial sobre o problema, o prognóstico não é dos melhores. Preparem os olhinhos para o que ainda verão...