quinta-feira, 26 de abril de 2012

"Davi no Conta Gotas: Eu não sabia!"

Davi encontra uma aranha na cozinha e não sossega enquanto não dá fim à pobre da bichinha. Com toda a sapiência dos seus quatro anos, pega o chinelinho e puft! Mata, remata e mata de novo e..."Davi, por que está fazendo isso com a aranha? Sabia que ela é nossa amiga? Ela come os mosquitos!"
Diante da minha afirmação, ele fez uma cara de perplexidade (sim, ele é ótimo em fazer essa cara ) e diz olhando para o pé: "Desculpe, aranha. Eu não sabia..."
(Foto escolhida pelo Pedro, meu filho)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

"O Peixe esvaziou o Salão e mandou embora as suas Sereias!"

No dia 14 de Abril, o Santos Futebol Clube comemorou o seu centenário. Eventos pipocaram por toda a Baixada Santista e o caldeirão da Vila Belmiro recebeu o Rei Pelé e o governador Geraldo Alckmin, que se diz santista (eu sei amores, nenhum time é perfeito). O Santos chega aos cem anos com corpinho de moleque. Neymar que o diga e que nos mostre ( o que foi aquele gol contra o Flamengo ano passado, hein?! Ah, tá! Foi só o gol mais bonito de 2011). Time celeiro de grandes craques, o Santos revelou Pelé (aos 16 anos), Pepe, Edu, Clodoaldo e, em 1978, numa sacada de mestre, o técnico Chico Formiga, para reverter uma situação crítica devido à falta de dinheiro do clube à época, acreditou na “prata da casa” e apresentou ao mundo futebolístico um elenco estelar encabeçado pelos meninos Pita, Juary, João Paulo, Nilton Batata entre outros. Com esse time foi Campeão Paulista e os santistas em festa comemoravam nas ruas com chupetas na boca numa alusão a pouca idade dos jogadores. Ouviu-se então, pela primeira vez, a expressão que eternizaria os jovens craques do time: “Meninos da Vila”. Em 2002, chegaram Diego e Robinho (quem se esquece daquela final contra o Corinthians? Robinho e suas pedaladas?) e hoje, Ganso e Neymar, pelo menos até 2014 (é o que juram os dirigentes) dão continuidade a tradição santista de garimpar novos talentos. Mas se o passado é só de glórias, no presente nem tudo são flores e ano passado as atividades do time de Futebol Feminino (Campeão Paulista e Bicampeão da Libertadores entre outros títulos) e do Futebol de Salão (Campeão Brasileiro de 2011) foram encerradas, por serem atividades inviáveis economicamente, segundo a diretoria do Santos. O que não entendo é como um Clube que tem como seu garoto propaganda o maior jogador de todos os tempos, que se mostra um gigante na área do marketing quando o assunto é vender jogadores ao exterior, não consegue “vender” duas categorias que só trouxeram vitórias desde que foram criadas. E não estamos falando de falta de talentos.O time feminino do Santos, por exemplo, é a base da Seleção Brasileira e ainda assim, ano passado, as meninas tiveram que fazer um calendário de fotos (belíssimo trabalho, diga-se de passagem) para honrarem seus vencimentos. Um verdadeiro absurdo essa falta de apoio às Sereias da Vila. Não quero colocar água no chopp da comemoração de ninguém mas, fica aqui o meu repúdio veemente a extinção dessas duas categorias. Que o Santos volte atrás e colabore para que o Brasil não seja só o país do futebol... MASCULINO...E DE CAMPO.


sábado, 14 de abril de 2012

"Manga Encruada"

Apesar de morarem juntos há muitos anos, nunca se entenderam. Apenas se toleravam. O cérebro sempre se aproveitando da sua pretensa superioridade vivia subjugando o coração que tantas vezes se vira preterido, até mesmo espezinhado. Ela percebia a situação e sabia que mais cedo ou mais tarde, teria que dar um jeito nessa pendenga a não ser que quisesse ver um dia, por vias tortas, um levante daquele pequeno Davi que morava no seu peito.  Até porque já andava cansada de tanta contenção. De negar o desejo que lhe deixava a boca seca. Não é porque tinha se machucado uma vez que aconteceria de novo. E se acontecesse, ótimo! Desbancaria de vez a teoria de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Valeria a pena só pela contradição, só por ter tido a chance de tentar de novo e errar.  Ajeitou-se na cadeira e ficou assistindo a chegada dele. Forte (musculoso na medida certa, nem menos nem mais), braços torneados, perfeito para o que ela precisava naquele momento. Sem camisa feito menino criado solto, sentiu certa inveja daquela liberdade que sempre lhe fora negada ou que ela mesma não se permitira usar e ousar. Foi então que num ímpeto de coragem ela esqueceu o pudor e quase gritando disse:
     -Ôh, garoto?! Dá pra você subir aí nessa árvore e pegar uma manga pra mim? A “tia” até que subiria se não tivesse com a perna quebrada. É que eu fui tentar subir semana passada e...
    -Ah... vai dar não. Tô jogando bola! E depois, essa árvore é alta pra caramba... vou cair, né?!
    - Nossa, mas que coisinha ruim, hein?! Custa subir aí e pegar uma manga pra tia?
   -Pego nada! E você num é minha tia. E tira essa cadeira daí que tá atrapalhando o jogo!
Creeedo! Gente... cadê aqueles “garotos bonzinhos” de antigamente? Te contar, viu... MOLEQUE MEDROSO!! MOLEQUE MEDROOOSO?!
Também, quem disse que ela queria manga? Queria não... estavam verdes e ela tinha CERTEZA disso...