quinta-feira, 6 de junho de 2013

KEILISTA KARAÍVA - "Garota Estileira"

Quando cheguei no Guarujá a sua família foi uma das primeiras que conheci. Curiosamente, você foi sempre a que tive menos contato. Notícias suas só tinha assim, an passant. Sempre voando. Uma hora no sul, outra em Sampa, outra em Trancoso...

Mas em janeiro, quando te levei algumas vezes para a radioterapia em Santos, nos aproximamos. Mesmo com a morte vigiando da esquina, falávamos de vida. Das nossas vidas. Amores, dissabores e planos (e você tinha tantos!): o restaurante, sua filha, um novo amor, talvez voltar a Trancoso, quem sabe?

Quem saberia, pelo menos quem ousaria naquele momento, pensar na estupidez da inexorabilidade da morte, esse hiato sem fim, desmantelando todos esses planos? Não sei se atropelo o sujeito ali dizendo que “quem tem planos não morre” ou, sei lá, acredito que seja melhor pensar assim que, de fato, você não tenha morrido, mas se libertado daquele corpo doente que não combinava nada, nada, contigo. Uma mulher inquieta, ativa, irreverente, multitalentosa, que colocava paixão em tudo que fazia. Como ficar presa naquele corpo carcomido?! Não era para você. Não mesmo.   

Vai, Keilista Karaiva! Vai ser livre de novo como sempre foi, ao sabor do vento. Vai visitar os corações abertos daqueles que te queriam tanto e tão bem, aqui, em Sampa, em Trancoso ou em qualquer outro lugar, vai sem medo.  A sua flor, a sua Antônia Flor que pelo visto será tão irreverente e determinada quanto à mãe, será muito amada por todos, tenho certeza.

Sabe, ontem mesmo, um cara que eu gosto muito, o Alessandro Martins, escreveu o seguinte: A grande pergunta não é se existe vida depois da morte, mas antes dela.” Quando li pensei em você e fiquei tranquila. Sei que a sua temporada por aqui foi curta, mas intensa, e só posso me despedir dizendo que foi um prazer te conhecer e fazer parte, pelo menos um pouquinho, da sua vida, garota “estileira” (nunca mais me esqueci do dia em que você definiu assim a minha calça, "estileira"). VOCÊ, sim, era o estilo em forma de gente. Tão única, autêntica, estilo, seu, só seu, intensa. Coisas de quem sabe que a vida, independente da morte, pede urgência.

Valeu, Keila!


Bem vinda, para sempre, ao meu coração. Beijo!