Maria é uma típica representante da classe trabalhadora brasileira. Não só da classe trabalhadora mas também de uma classe que cada vez mais vem tomando vulto na sociedade:a classe das mulheres "chefe de família". Ela é separada, tem duas filhas e precisa trabalhar para sustentá-las. Maria trabalha em "casa de família", aliás, em "casa de OUTRA família", porque também trabalha dentro de sua própria casa.
Maria é vaidosa. Gosta de se arrumar, usar batom e trazer o cabelo encaracolado sempre muito bem arrumado (diz que trabalha também prá isso). Quem a vê na rua reconhece um frescor e uma luminosidade na sua aparência, que é como se ela estivesse sempre acabado de tomar um banho. Mulher nova...batalhadora...e já cheia de responsabilidades.
Suas filhas são uns amores; a mais velha, Juliana, tem dez anos e sonha em ser modelo. Tem o corpo esguio, um sorriso lindo e uma elegância natural que deixaria qualquer nobre "no chinelo". A caçula, Juciara, tem carinha de arteira. Mas só carinha, porque tem uma ingenuidade tão inerente aos seus sete anos que só a torna mais meiga.
Maria é uma mãe zelosa. Dentro das suas limitações faz o que pode para que suas meninas tenham um certo conforto, para que não lhes falte nada. Ficou felicíssima em dezembro, por exemplo, quando conseguiu comprar uma cama "beliche" para as "JUJUS" (é assim que as chamo). Foi uma festa, mais um sonho realizado...
A partir de terça-feira passada, a vida de Maria e de suas filhas, já não é mais a mesma. De madrugada, em Niterói, sua casa rolou morro abaixo com tudo aquilo que Maria tinha conseguido adquirir com muito sacrifício. Pode-se dizer que teve "sorte" uma vez que conseguiu se salvar e salvar suas meninas. Outras pessoas não tiveram essa chance. Muitas mães ficaram sem seus filhos, muitos filhos ficaram sem suas mães, seus pais...novamente vamos assistindo a mais uma tragédia anunciada. Quantos sonhos interrompidos?Quantas famílias dilaceradas, rasgadas pela dor? Até quando as vidas de "Marias","Joanas","Joaquins",serão violentadas dessa maneira, por não ter o direito, apenas isso, o direito de ter uma moradia decente? Até quando os responsáveis se excluirão de suas responsabilidades, jogando a culpa à população que mora nesses lugares de risco, como se "escolhesse" morar ali, simplificando uma questão séria e tão complexa como se fosse uma banalidade? Até quanto...até quantos mortos? Quanto vale uma vida afinal? Quanto vale a vida de "Maria"?
Maria é vaidosa. Gosta de se arrumar, usar batom e trazer o cabelo encaracolado sempre muito bem arrumado (diz que trabalha também prá isso). Quem a vê na rua reconhece um frescor e uma luminosidade na sua aparência, que é como se ela estivesse sempre acabado de tomar um banho. Mulher nova...batalhadora...e já cheia de responsabilidades.
Suas filhas são uns amores; a mais velha, Juliana, tem dez anos e sonha em ser modelo. Tem o corpo esguio, um sorriso lindo e uma elegância natural que deixaria qualquer nobre "no chinelo". A caçula, Juciara, tem carinha de arteira. Mas só carinha, porque tem uma ingenuidade tão inerente aos seus sete anos que só a torna mais meiga.
Maria é uma mãe zelosa. Dentro das suas limitações faz o que pode para que suas meninas tenham um certo conforto, para que não lhes falte nada. Ficou felicíssima em dezembro, por exemplo, quando conseguiu comprar uma cama "beliche" para as "JUJUS" (é assim que as chamo). Foi uma festa, mais um sonho realizado...

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