segunda-feira, 21 de novembro de 2011

FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER/ ATIVISMO ONLINE/ POST DE HOJE: "MULHERES QUEREM RESPEITO" POR (LILIANE GUSMÃO)

     Hoje, começa os cinco dias de ativismo online pelo #FimDaViolênciaContraMulher. Durante esse período, o tema estará presente em vários blogs, redes sociais, sites, sempre no intuito de despertar a atenção das pessoas para um problema grave, sério e que pede urgência no seu combate. Os dados são preocupantes, só no primeiro semestre desse ano, por exemplo, o número 180, disponibilizado pela Secretaria de Políticas para Mulheres para atender especificamente à mulher, contabilizou mais de 30.000 chamadas denunciando algum tipo de violência contra a mulher. Na maioria dos casos, (72%) os agressores são os próprios cônjuges. E mais, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), uma em cada três mulheres sofrerá algum tipo de violência ou abuso durante a sua vida.
     Eu, preocupada com essa verdadeira "epidemia" que se transformou esse tipo de violência mais especificamente, resolvi participar dos cinco dias de ativismo online, convidando algumas mulheres especiais para que escrevessem posts sobre o tema. São mulheres que, cada uma a seu modo, no seu dia a dia, estão engajadas nessa causa, que não é só da mulher, mas sim, de todos nós, cidadãos de bem que ansiamos por uma sociedade mais justa e igualitária.
Hoje, o post de abertura, é de Liliane Gusmão do blog  http://pontodeblog.blogspot.com/. Vamos a leitura:


MULHERES QUEREM RESPEITO
 
Ser contra violência contra mulheres é ser feminista. Não sabia disso até pouco tempo atrás, se soubesse já tinha me assumido feminista antes, muito antes. Algumas pessoas falam que são contra todo tipo de violência e por isso acham que feminismo é uma coisa ultrapassada que não tem o menor sentido. Violência urbana e violência contra a mulher são coisas diferentes.

No Brasil e em vários outros lugares do mundo qualquer um pode estar mais ou menos exposto à violência. Segundo a ONU, a violência contra mulheres é endêmica na América Latina. No Brasil a cada 5 minutos uma  mulher sofre algum tipo de violência e 10 mulheres morrem por dia em decorrência dessa violência.

Mulheres são abusadas por parentes, maridos, namorados, companheiros. Na maioria dos casos de violência contra mulher o abusador é um conhecido, intimo da mulher. Isso ainda acontece no Brasil e no mundo por que mulheres são vistas como propriedade masculina. Homens que pensam que podem dispor dos corpos das mulheres ao seu bel prazer.O machismo é o causador de tudo isso. O machismo é a estrutura do modelo de sociedade em que vivemos.


Não só existem homens machistas. Machistas somos todos, quando julgamos uma vítima de estupro pela roupa que vestia quando aconteceu o abuso. Machistas somos quando falamos que aquela nossa amiga/ parente/ colega de trabalho que apanha do marido, gosta de apanhar e é por isso que "não larga dele". Machistas somos quando xingamos uma mulher  com palavras pejorativas que aludam ao seu comportamento sexual. Machistas somos sempre e é preciso muito esforço e reflexão para não sermos, para não repetirmos os padrões de comportamento machistas que a sociedade em que vivemos e estamos inseridos nos ensina.

A primeira vez que vi uma mulher sofrendo violência física foi chocante. Ser testemunha de um ato tão vil em um local público me abalou tanto que mesmo após a cena de violência ter acabado, eu nem conseguia ficar lá, o ar estava pesado e eu só conseguia pensar nela. Eu ouvia seus gritos ainda.
Era 1998 no Abril Pro Rock. Fomos naquele dia assistir o Mestre Ambrósio que ia fechar a noite e o Festival. Chegamos muito cedo e ficamos entediados com algumas apresentações que vieram antes da que queríamos  assistir. Encontramos uma amiga e ficamos conversando, pra passar o tempo, longe do palco e do público que animado pulava cantando.
Foi quando, do meio da multidão, surgiu um homem puxando uma mulher. Ela gritava, as amigas dela, impotentes, gritavam também enquanto ele a puxava pelos cabelos e socava seu rosto e sua barriga. Todo mundo parou para olhar, mas ninguém se mexia, todo mundo meio sem ação frente aquela cena absurda. Eu parei a minha conversa no meio e sem pensar comecei a procurar pelos seguranças do local correndo e gritando que tinha uma garota sendo agredida. Finalmente eu encontrei alguns seguranças que imediatamente foram intervir. A garota devia ter uns 20 anos e quando a reencontrei ela estava no chão encolhida, enquanto ele  gritava e a chutava, toda vez que ela se mexia.
Ninguém se meteu, se não fosse eu, ninguém teria feito nada, não sei o que seria dela. Me arrependi de não ter ido tentar apartar, mas tive medo dele. Ele era um cara grande e forte. As amigas dela não conseguiram contê-lo e eu também, não conseguiria. Não sei o que aconteceu com ela. Sei que ele foi levado pelos seguranças e que as amigas dela a levaram embora. Não soube mais dela, não consegui ficar mais naquele lugar e a minha noite acabou ali.

Quantas outras mulheres sofrem diariamente com homens que as destratam, as agridem verbal, física e psicologicamente? Quantas mulheres ficam com esses homens por que não tem para onde ir, nem com quem contar? Quantas mulheres saem de uma casa onde sofriam violência só para viverem com um agressor tão ruim ou pior do que aquele de quem elas fugiram? Quantas ainda sofrem em silêncio a humilhação de serem espancadas, ameaçadas e violadas por homens que deviam respeitá-las, e só não o fazem por elas serem mulheres...
(Liliane Gusmão)

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