Hoje é domingo, dia do cidadão de bens ir à igreja. O cidadão de bens sonega impostos e é a favor da privatização. O cidadão de bens é meritocrata, acha que conseguiu tudo somente com a ajuda de Deus, talvez porque saiba que não será materialmente contestado. Aliás, o cidadão de bens detesta ser contestado. Tem uma sapiência nata, superior aos anos de estudo dos colegas, ops, cientistas. Tem um ranço escravocrata, mas não é racista. Tem até amigo negro, é assim mesmo, no singular. Gay já é mais complicado. Respeita desde que não mexam com ele, e ignora que a filha é lésbica. Saber, sabe. Se tem uma coisa que o cidadão de bens tem é auto estima. Ou seria complexo de superioridade? O importante é que amam. Amam a esposa e a amante e acham que feminismo é o contrário de machismo. Isso quando se dão ao trabalho de tocar nesses assuntos, tão menores, tão identitários. Afinal, cidadãos de bens têm um país a salvar. Dizem que não gostam de política, mas possuem uma neutralidade que geralmente tem um nome, que geralmente é de direita, ah, e sempre que podem, demonizam candidatos de esquerda. Se bem que pra eles não existe muito essa coisa de direita e esquerda. Só o "fora PT" e eles, os cidadãos de bem, ou bens. Mas o importante é que hoje tem igreja. Os cidadãos de bens pagam seu dízimo, expiam os demônios que lhes convém, os mais óbvios, e compram mais um pedacinho no céu. Se sentem realizados, em paz, para recomeçar a semana e fazer o inferno na vida de várias outras pessoas.
Quando li a notícia no blog da Lola ( http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2010/08/concurso-de-blogueiras-no-ar.html ) de que haveria um concurso para blogueiras com o tema, "A origem do meu feminismo", comecei a refletir até que ponto eu sou feminista, se é que sou. Apesar de ter minhas opiniões e convicções, não gosto muito de "rótulos". Prefiro ter a liberdade de ser "essa metamorfose ambulante". Mas, acontece que, numa breve análise da minha vida, acabei me dando conta de que a época em que "fui" mais feminista até agora, foi aos 21 anos. Época em que, talvez, eu nem tivesse a consciência de que tudo que estava vivendo, estaria colocando à prova, todos os meus mais camuflados e desconhecidos "instintos feministas". O curioso é que só agora, consigo enxergar por esse ângulo. Bom, antes tarde do que nunca! Na ocasião, meu pai, que era um pequeno comerciante e chegou a ter cinco lojas espalhadas por diversas cidadezinhas da região...
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