Quando eu cheguei aqui no Guarujá a sua família foi uma das primeiras que conheci. Curiosamente, você foi sempre a que tive menos contato. Notícias suas só tinha assim, an passant. Sempre voando. Uma hora no Sul, outra em Sampa, outra em Trancoso. Mas em janeiro, quando te levei algumas vezes para a radioterapia em Santos, nos aproximamos. Mesmo com a morte vigiando da esquina, falávamos de vida. Das nossas vidas. Amores, dissabores e planos (e você tinha tantos!): o restaurante, sua filha, um novo amor, talvez voltar a Trancoso, quem sabe? Quem saberia, pelo menos quem ousaria, naquele momento, pensar na estupidez da inexorabilidade da morte, esse hiato sem fim, desmantelando todos esses planos? Não sei se atropelo o sujeito ali dizendo que “quem tem planos não morre” ou, sei lá, acredito que seja melhor pensar assim que, de fato, você não tenha morrido, mas se libertado daquele corpo doente que não combinava em nada, nada, contigo. Uma mulher inquieta, ativa, irre...
Dolorido esse texto.
ResponderExcluirPois é, Lú! Isso aconteceu aqui, no Sábado, mas só fiquei sabendo hoje. O que me deixou mais perplexa, foi a passividade das pessoas. Ali perto tem um ponto de táxi, vários bares e um camelódromo onde a maioria tem carro e ninguém fez ABSOLUTAMENTE NADA. Por quê? Medo? Apatia? Sei lá...quanto vale se arriscar para salvar uma vida? Enfim, triste...
ResponderExcluirO que é o relativo....relativa é a idade...pois pra minha filha eu sou um coroa...pra minha mãe eu sou um menino....Luis Gonçalves hoje nos explicou o que significa o RELATIVO... Luis Gonçalves para nós é uma vítima...para o SAMU é um número; pra seus filhos era um herói... para a prefeita é um problema; para o catraieiro era uma passageiro... para o INSS é só mais um;
ResponderExcluirpara alguns virar noticia é bom...para Luis Gonçalves ...bom... ele nem sabe que virou notícia...
Pois é Ricardo, o problema é que estamos "relativizando" demais e agindo de menos. Essa inércia toda das pessoas diante dos fatos e acontecimentos é muito preocupante. O caso desse homem, é uma pequena amostragem de como as pessoas estão se tornando cada vez mais alheias ao que está acontecendo ao redor delas. Estamos nos tornando cada vez menos críticos, menos sensíveis, menos conscientes do nosso papel na sociedade.Pra que,né?! Simplesmente vamos "sobrevivendo", com o intuito de salvar a própria pele. Enfim, tenho medo de onde essa "cultura do umbigo" possa nos levar...
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