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RESILIÊNCIA

A palavra não vem. Ela busca, rebusca, mas não vem... Talvez porque o momento peça silêncio, encapsulamento, digestão. Cansou de ser o São Jorge, pirou e comeu o dragão, mas não consegue soltar o fogo pelo nariz... Está revirando as tripas, os poros, o púbis... Frio que cala a fala em pleno sol de verão. Joga a garrafa ao mar. O socorro já chega  enfiando a mão na garganta.  Ela vomita e respira aliviada. Agora ela já pode falar. Entendeu que, mais do que comer o dragão,   precisa é aprender a comer um dia de cada vez...

BOLO DE CHOCOLATE

  A preparação é mínima. Só os segundos da subida. E como sobe! Alto, alto, alto... De repente, peito para frente, prestes a ganhar asas, a liberdade em queda livre. Ele se joga com tudo: cabeça, alma e coração. Não se importa se a corda pode arrebentar. Corda? Que corda? Não está preso a nada e ri na cara de quem tem medo... Lá embaixo, ela olha e admira a coragem dele, mas prefere a comodidade dos covardes. Vai para casa fazer um bolo de chocolate. Não sabe cozinhar... queima o bolo e não aquece o coração.                                                                                                                   

"HOMEM, PEGA, ESTUPRA E MATA!"

     Apesar das tentativas de  abafar o caso, um dos suspeitos é filho de um deputado estadual, chega a mídia mais um caso estarrecedor de violência contra a mulher. Agora, é o "caso de Queimadas", na Paraíba. Fico me perguntando até que ponto pode chegar a bestialidade humana: "Estupro coletivo encomendado para presente".  Um verdadeiro sopapo na cara da sociedade. Fratura exposta. Dói, sangra.    A frieza com que esses dez monstros tramaram tudo é de enojar. Aliás, tudo nesse caso causa repulsa. Na delegacia, um deles disse o seguinte sobre o seu comparsa que teria "convidado" as mulheres: "Ele disse que queria pegar as meninas mas não ia matar elas". Ou seja, ESTUPRAR pode?! Não, não pode! Estupro é CRIME tanto quanto ASSASSINATO, e eles extrapolando até mesmo seus parâmetros mais enviesados, ESTUPRARAM E MATARAM.     Conversando com um amigo sobre o caso, ele acredita que além da punição, a sociedade deveria fazer esses CRIMINOSOS ressi...

"SANDÁLIA DE PRATA"

O samba é uma grande paixão. Mexe e remexe com ela. Fica molinha, com vontade  de requebrar com a mãozinha na cintura. Ela samba, mas só no miudinho, no cantinho, sem entrar na roda porque não tem sandália de prata. O samba insiste, seduz, mostra as cores e os calores de que ela gosta. Mas ela não se atreve sem a sandália. Sabe que na quarta-feira de cinzas, quando a folia acaba, precisa da sandália para se despedir, jogá-la bem longe e entender que não vai sambar o ano inteiro, sem a roda, sem o samba. Mas ainda assim ela samba, rainha do seu Carnaval, sem reis, sem príncipes, não precisa. Precisava mesmo era da sandália de prata se fazendo ouro, ofuscando o resto da fantasia, brilhando no seu apogeu.

"NÃO AO SOPA"

"PAVÊ DA PREGUIÇOSA!"

     A receita era antiga. Tinha tirado de um jornal e já fazia um bom tempo que o recorte amarelado andava perdido em alguma gaveta não tanto remexida. Mas ela não precisava de receita, tinha tudo guardado na cabeça. Até porque, o tudo era quase nada. Foi então para a cozinha, fazer o único doce que a sua má vontade  lhe permitia fazer.      Para o creme, duas latas de leite condensado e a mesma medida de leite. Três gemas de ovos que, quase  por um acaso, aprendera com uma doceira a retirar aquela fina película transparente que envolve a gema e que dá o tão característico, e por vezes desagradável, cheiro de ovo aos doces (pelo menos, assim tinha lhe dito a tal doceira).      Biscoitos? Escolhia os de maisena mesmo, já que os tradicionalmente usados, os biscoitos champanhe, deixavam o doce, doce por demais. Essa doçura toda, definitivamente não lhe agradava.      Frutas? Poderia ser qualquer uma. Morango, abacaxi...

Desconstruindo "Verdades Absolutas" em 2012!"

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amad...