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Ocaso.

Cortei, cortei o sim, o nó na garganta, cortei o que era plástico e se quebrou, o que era amargo e se acabou, Cortei o açucar, cortei você.  Cortei,  cortei o laço, o abraço, o umbigo, cortei o pão que o diabo amassou, cortei o inferno, o fogo, o fardo, cortei você. Cortei, cortei os fios, o cabelo, os brios, cortei na própria carne. Cortei a carapaça do amor, a carapuça da dor, cortei, cortei você. Cortei, as garras, as asas, suas, e voei.

"DEIXEM ELA MORRER EM PAZ!"

Quando entro na enfermaria, vejo que a pessoa a quem fui visitar está bem. Ao lado dela, outra mulher. Parece grávida. Pergunto o que há e recebo a resposta de que não é “problema com a gravidez”. Ela tem um tumor, ela tem metástase e ela não tem mais vida. É uma paciente classificada como terminal. Vomita sem parar. Quase desfalecida, agoniza ao lado de um marido apático. Impotente diante da morte? Conformado? A cena incomoda. Me incomoda. Muito. Não pela doença, não que seu martírio me ofenda. É a impotência que me corrói. O sofrimento dela me corrói. A dor dela me dói...  Na sala de enfermagem pergunto se alguém pode fazer algo por aquela mulher e uma das primeiras perguntas que me fazem é se “sou sua acompanhante”. Por quê? A resposta seria diferente? Num tom burocrático, a enfermeira me explica que o caso dela é terminal, que já comunicou a família, que o médico já medicou e disse que “a deixassem morrer em paz!” Insisto. Não seria o caso de uma UTI? “Filha, não podemos fazer ...

"Amor em Budapeste..."

"Nenhuma nesga de luz,  Nenhum rabicho de sol,  Só insiste em brilho fosco,  Tosco agora,  O arco íris que comprei em   Budapeste há dois anos,  Quando não éramos sós,  Quando éramos sóis,  Quando éramos nós. Arranco a casca da ferida.  Reparto em dois, em três, em mil  aquilo que queria engolir sozinha. Agora tanto faz. Não machuca mais. Não há sangue correndo pro teu mar Porque não era eu Porque não era você Porque não era amor..."