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"É DIA DE DAVI!"

     Na primeira vez que te vi, há quatro anos, você era rosa. Você chorou e eu sorri. Maior do que eu esperava, ocupou um espaço enorme em mim. Não me importei. Gostei! Tomou todo o meu tempo, meus dias, minha insônia e também os meus seios. Virou tema recorrente nas minhas rodas de conversa e assunto para a minha falta de assunto. Mas não me policiei.      Eu me permiti lamber, cheirar, beijar, babar, errar e acertar. Aprendi a compartilhar, doar e receber. Ouvi muitos conselhos. Uns até segui. Outros, dei de ombros. Simpatias? Até hoje sei um vasto repertório, mas fazia só a do pontinho vermelho. Aquela do soluço. soluço. E não é que parava?!      Recorri mesmo foi ao instinto. Não ao materno, mas sim,  ao de sobrevivência. Precisava "sobreviver", e bem, por você e por mim ao evento que é ter um filho, ainda que fosse o segundo, tão essencial, querido e diferente do primeiro, o Pedro.      Davi é a minha segu...

"PAVÊ DA PREGUIÇOSA!"

     A receita era antiga. Tinha tirado de um jornal e já fazia um bom tempo que o recorte amarelado andava perdido em alguma gaveta não tanto remexida. Mas ela não precisava de receita, tinha tudo guardado na cabeça. Até porque, o tudo era quase nada. Foi então para a cozinha, fazer o único doce que a sua má vontade  lhe permitia fazer.      Para o creme, duas latas de leite condensado e a mesma medida de leite. Três gemas de ovos que, quase  por um acaso, aprendera com uma doceira a retirar aquela fina película transparente que envolve a gema e que dá o tão característico, e por vezes desagradável, cheiro de ovo aos doces (pelo menos, assim tinha lhe dito a tal doceira).      Biscoitos? Escolhia os de maisena mesmo, já que os tradicionalmente usados, os biscoitos champanhe, deixavam o doce, doce por demais. Essa doçura toda, definitivamente não lhe agradava.      Frutas? Poderia ser qualquer uma. Morango, abacaxi...